AFP PHOTO | Brendan Smialowski
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Trump afirma que Hillary deveria ser presa por envolvimento no caso dos e-mails

Empresário já havia acusado a democrata anteriormente de violar uma lei federal ao usar sua conta de e-mail particular para tratar de assuntos pessoais quando ainda era secretária de Estado

O Estado de S. Paulo

03 Junho 2016 | 12h08

WASHINGTON - O candidato do Partido Republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na quinta-feira que sua provável rival democrata nas eleições de novembro, Hillary Clinton, deveria ser mandada para a prisão pelo mal uso de seu e-mail quando era secretária de Estado.

"Hillary Clinton tem que ir para a prisão. Honestamente, é culpada como o diabo", disse o magnata a seus simpatizantes em um comício em San José, na Califórnia, onde ocorreram distúrbios violentos nos arredores entre manifestantes contrários a Trump e seus correligionários.

O bilionário já havia acusado Hillary anteriormente de violar a lei federal por usar sua conta de e-mail particular para tratar de assuntos oficiais quando ainda era a chefe da diplomacia americana, mas até agora não havia pedido sua prisão.

Trump respondeu aos ataques que recebeu esta manhã por parte da pré-candidata democrata, que o acusou em um comício em San Diego, também na Califórnia, de não ter o temperamento e a preparação necessários para ser presidente.

"Suas ideias não são apenas diferentes, mas são perigosamente incoerentes", disse a ex-secretária de Estado, que acrescentou que "não é difícil imaginar Trump" levando os Estados Unidos a uma guerra "simplesmente pelo fato de que alguém se meta com ele".

Hillary utilizou um servidor particular para enviar e armazenar e-mails sobre seus trabalhos à frente do Departamento de Estado durante quatro anos, cargo que ocupou de 2009 até o início de 2013.

O fato lhe rendeu várias críticas por parte dos republicanos, que consideram que a atitude poderia ter colocado em risco a segurança nacional dos Estados Unidos. O FBI ainda investiga o caso.

No dia 25 de maio foi publicada uma auditoria interna do Departamento de Estado, segundo a qual o uso que Hillary fez de seu e-mail não obedeceu às regras, e transformou o assunto em uma violação com possíveis implicações mais graves.

A imprensa obteve a auditoria do inspetor-geral do Departamento de Estado, que é especialmente crítica com o uso que Hillary fez de seu e-mail particular, e assegura que ele não foi autorizado expressamente pela agência e viola regulamentações federais.

Confusão. Vários manifestantes contrários a Trump encararam e agrediram fisicamente simpatizantes do magnata, além de queimarem uma bandeira dos Estados Unidos nos arredores do comício em San José.

Os protestos foram particularmente violentos, e os vídeos veiculados tanto na televisão como na internet mostram simpatizantes de Trump ensanguentados ou sendo atingidos por ovos.

Os distúrbios tiveram forte componente étnico, já que os manifestantes pertenciam majoritariamente às minorias hispânica e negra e portavam bandeiras mexicanas, enquanto os simpatizantes do empresário eram em sua maioria jovens brancos empunhando cartazes em favor do republicano e bandeiras americanas.

Em um dos vídeos registrados por um jornalista presente no local e divulgado nas redes sociais, é possível ver dois simpatizantes de Trump caminhando pela rua enquanto são perseguidos por uma multidão de manifestantes, dos quais um se aproxima dos dois e golpeia a cabeça de um deles com uma mochila.

Outras imagens mostram o jovem agredido com a cabeça e a roupa ensanguentadas ao lado de um policial e falando para as câmeras de televisão. O jovem relatou que caminhava com seu cartaz de apoio a Trump e a multidão começou a gritar contra ele e a chamá-lo de racista.

Em outro vídeo, uma jovem com uma roupa esportiva com o nome de Trump é atingida na cabeça por um ovo. Além disso, ela aparece cercada por manifestantes que, exibindo bandeiras do México e alguns com rosto encoberto, gritam com ela e fazem gestos obscenos. /EFE e Reuters.

Veja abaixo: Hillary e Trump vencem primárias em Nova York

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