Washington Post / Jabin Botsford
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Trump afirma que imigrantes não precisam ir aos EUA se não gostam de centros de detenção

Em meio a críticas e denúncias de falta de condições básicas de higiene em centros de detenção no Texas, presidente dos EUA condenou postura de imigrantes e ativistas

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2019 | 15h31

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou nesta quarta-feira, 3, as informações sobre superlotação e condições precárias nos centros de detenção de imigrantes ilegais no país, acrescentando que eles têm a opção de "não vir".

"Se os imigrantes ilegais não estão contentes com as condições dos centros de detenção construídos ou reformados rapidamente, digo que não venham. Problema resolvido!", escreveu em sua conta no Twitter.

Trump também escreveu na quarta-feira no Twitter que os imigrantes ilegais estariam vivendo melhor atualmente do que quando estavam em seus países de origem.

“As pessoas de nossa patrulha de fronteira não são funcionários de hospital, médicos ou enfermeiras”, escreveu. “Grande trabalho da patrulha de fronteira. Muitos destes estrangeiros ilegais estão vivendo muito melhor agora do que... onde vieram, e em condições muito mais seguras”.

O departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) alertou na véspera para os riscos causados pela superlotação e a insegurança nos centros de detenção de imigrantes ilegais no Texas, onde os congressistas democratas têm denunciado "terríveis" condições de vida.

Fotos publicadas pelo inspetor-geral do DHS mostram os centros de acolhimento de imigrantes do Vale do Rio Grande, no Texas, com o dobro de pessoas para os quais foram construídos.

"Estamos preocupados com a superlotação e a permanência prolongada, que representam um risco imediato para a saúde e a segurança dos agentes e oficiais do DHS, assim como para os detidos", destaca o relatório da inspetoria geral do DHS.

Em junho, dois membros do DHS visitaram cinco centros de detenção na fronteira com o México, por onde um grande número de emigrantes tentou entrar ilegalmente nos Estados Unidos nos últimos meses.

Em maio, 144 mil pessoas foram detidas por agentes de fronteira (CBP), mas não há espaço suficiente nestas estruturas ou nos centros de recepção para onde normalmente se transfere menores e famílias.

Segundo o relatório, crianças com menos de sete anos não acompanhadas permanecem por mais de duas semanas esperando sua transferência, quando deveriam ser entregues a parentes ou agências governamentais especializadas no prazo de 72 horas.

Entre as condições que violam os padrões do DHS os inspetores assinalaram a falta de lavanderias, chuveiros, comidas quentes e a possibilidade de mudança de roupa.

Algumas fotos no relatório revelam celas abarrotadas e habitações divididas por telas de arame.

Um funcionário descreve a situação como uma "bomba relógio", citando vários incidentes ocorridos entre os detidos.

A publicação do relatório ocorre após a visita de congressistas democratas a centros de detenção da polícia de fronteira nas cidades de El Paso e Clint, cidades texanas diante do território mexicano.

O líder da delegação, Joaquín Castro, relatou à imprensa celas femininas "sem água corrente" e onde as detidas tinham que beber "água das privadas".

A congressista Alexandria Ocasio-Cortez, que também integrou a delegação, declarou que os imigrantes estão sendo submetidos a uma "crueldade sistêmica".

O centro de detenção de Clint foi alvo de polêmicas, após mais de 100 imigrantes menores de idade terem sido enviados de volta para o local, mesmo com as denúncias de condições precárias e desumanas. O acontecimento teria sido o motivo principal para o pedido de demissão do comissário da agência de Alfândega e Proteção da Fronteira americana (CBP na sigla em inglês), John Sanders.

As críticas à CBP aumentaram depois de reportagens desta semana segundo as quais agentes antigos e atuais publicaram comentários anti-imigrantes ofensivos e contra parlamentares em um grupo privado no Facebook.

Na quarta-feira, o chefe interino do DHS, Kevin McAleenan, ordenou uma investigação das postagens, classificando os comentários como “perturbadores”.

O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, pediu a demissão de McAleenan e outros líderes de alto escalão da agência.

Após uma visita à fronteira nesta semana, o deputado democrata Joaquin Castro disse que os detidos não puderam tomar banho durante uma quinzena, foram privados de remédios e trancados em áreas com torneiras quebradas.

“Está claro que seus direitos humanos estão sendo negligenciados”, disse o parlamentar texano aos repórteres em uma teleconferência. / AFP e REUTERS

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