AFP PHOTO / Eric BARADAT
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Trump afirma que resolverá 'com coração' a situação de jovens sem documentos

Ao falar pela primeira vez após interromper programa da era Obama, Trump disse que antecessor 'estimulou crise humanitária' nos EUA 

O Estado de S.Paulo

05 Setembro 2017 | 17h26

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assegurou nesta terça-feira, 5, que resolverá "com coração e compaixão" a situação dos 800 mil jovens sem documentos que se beneficiaram do programa DACA (Ação Diferida para os Chegados na Infância), promulgado pelo seu antecessor, Barack Obama, e cuja eliminação foi anunciada pelo seu governo.

"Como disse antes, resolveremos o tema do DACA com coração e compaixão, mas por meio do processo democrático legal, enquanto ao mesmo tempo nos asseguraremos que qualquer reforma migratória que adotamos ofereça benefícios duradouros para todos os cidadãos americanos", disse Trump em um comunicado.

"Devemos ter coração e compaixão para os americanos desempregados, que lutam e foram esquecidos", acrescentou o governante, em uma clara tentativa de se aproximar da classe trabalhadora.

Essas foram as primeiras declarações públicas de Trump sobre sua decisão de acabar com o programa e dar ao Congresso um prazo de seis meses para buscar uma alternativa, momento em que a suspensão se fará efetiva.

"O Congresso agora tem a oportunidade de avançar em uma reforma migratória responsável que coloque os empregos e a segurança dos americanos em primeiro lugar", salientou Trump.

Nesse sentido, Trump acusou seu antecessor de aprovar uma iniciativa que "estimulou" a crise humanitária sofrida pelos Estados Unidos no verão de 2014, quando as autoridades do país se viram sobrecarregadas perante a chegada de milhares de crianças não acompanhadas procedentes, em sua maioria, de El Salvador, Guatemala e Honduras.

Apesar da acusação de Trump, só são beneficiados pelo programa quem chegou aos EUA com menos de 16 anos e tinha até 31 anos completados no máximo até 15 de junho de 2012.  

Trump comentou que alguns desses jovens "se transformaram em membros de quadrilhas violentas em todo o país", como a Mara Salvatrucha (MS-13), um grupo que transformou El Salvador em um dos países mais violentos do mundo e contra o qual o governo dos EUA iniciou uma ofensiva policial.

O governante aproveitou para defender-se das críticas e disse que "não está a favor de castigar crianças, que em sua maioria são agora adultos", mas considerou que o povo americano deve reconhecer que os Estados Unidos são a terra das "oportunidades" porque também são uma "nação de leis".

Durante a campanha eleitoral de 2016, Trump prometeu que acabaria com o DACA, ainda que posteriormente, já na Casa Branca, tenha assegurado que encararia o tema "com coração", as mesmas palavras que usou hoje para defender sua decisão.

Trump recebeu uma grande pressão para acabar com o DACA por parte de procuradores-gerais de nove Estados conservadores, liderados pelo Texas, que ameaçaram entrar hoje mesmo com uma ação judicial contra o governo se não derrubasse o programa. / EFE e AFP

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