Alex Brandon/AP
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Trump afirma que saída de tropas americanas agora seria o pior para o Iraque 

Parlamentares iraquianos exigiram ao governo do país que expulse os 5,2 mil soldados americanos em resposta à execução do general iraniano Qassim Suleimani; secretário de Defesa diz que general planejava um ataque 'em breve'

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2020 | 17h29
Atualizado 07 de janeiro de 2020 | 19h29

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta terça-feira, 7, que retirar as tropas americanas do Iraque neste momento seria o pior que poderia acontecer ao país do Oriente Médio. A declaração do presidente é dada dois dias após o Parlamento em Bagdá exigir a saída das forças

"Queremos sair em algum momento, mas este não é o momento correto", disse Trump. "Seria o pior que poderia acontecer ao Iraque agora." 

Parlamentares iraquianos exigiram ao governo do país que expulse os 5,2 mil soldados americanos presentes no Iraque em resposta à execução do general iraniano Qassim Suleimani na capital iraquiana no dia 2. No ataque americano foi morto também o líder militar iraquiano Abu Mehdi Al Muhandis.

O secretário de Defesa americano, Mark Esper, reiterou que os Estados Unidos não vão retirar as tropas do Iraque agora e negou que exista uma carta assinada do lado americano anunciando a saída. "Nossa política não mudou. Nós não estamos saindo do Iraque", disse Esper a jornalistas.

"Não há carta assinada que eu saiba", acrescentou Esper, afirmando que Suleimani, comandante da Guarda Revolucionária iraniana, planejava lançar um ataque em breve.

Traduzida e assinada

Ainda hoje, mais cedo, o premiê iraquiano, Adel Abdel-Mahdi, disse ter recebido cópias assinadas de uma carta traduzida e, segundo ele, muito clara do comando americano anunciando a retirada militar do Iraque.

"Não é uma folha que caiu da fotocopiadora. Agora, eles dizem que foi um rascunho, mas poderiam ter enviado outra carta de esclarecimento", disse o chefe de governo durante o Conselho de Ministros, transmitido pela televisão estatal.

Sobre o documento, na véspera, o chefe do Estado-maior americano afirmou que a carta em questão era um simples "rascunho não assinado" transmitido por "erro". "Era uma carta oficial com o formato de página tradicional", insistiu Abdel Mahdi.

Além disso, acrescentou que primeiro enviaram uma versão traduzida para o árabe, que continha erros, e depois transmitiram uma segunda versão corrigida.

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A carta se referia a uma votação realizada no Parlamento iraquiano, no domingo, para exigir que o governo expulsasse tropas estrangeiras do Iraque.

A decisão do Parlamento iraquiano foi uma reação ao assassinato do general Suleimani, arquiteto da estratégia do Irã no Oriente Médio.

Segundo o secretário de Defesa americano, os Estados Unidos reorganizarão suas tropas, mas não abandonarão o país. 

Na noite de terça-feira, pelo quarto dia consecutivo, voos de helicóptero à baixa altitude foram registrados no centro da capital iraquiana, onde está localizada a Zona Verde, que abriga, entre outras instituições, a Embaixada dos Estados Unidos. / AFP 

 

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