Trump afirma que Suprema Corte vai decidir sobre concessão de cidadania por nascimento

Trump afirma que Suprema Corte vai decidir sobre concessão de cidadania por nascimento

A justificativa do presidente é que a 14ª Emenda à Constituição trata das pessoas sujeitas à jurisdição e que isso não tem exceções, a exemplo dos filhos de diplomatas

O Estado de S. Paulo, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2018 | 17h59

WASHINGTON – O presidente americano, Donald Trump, vai levar a questão do direito à cidadania por nascimento nos Estados Unidos à Suprema Corte, reacendendo os imbróglios da imigração no país, em um momento no qual caravanas de migrantes se dirigem à fronteira sul do país. Entre as medidas aplicadas pelo chefe de Estado para frear a chegada de estrangeiros da América Central está o envio de 5,2 mil militares para a divisa com o México.

"O chamado direito de cidadania por nascimento, que custa ao nosso país bilhões de dólares, é muito injusto com os cidadãos e vai acabar de uma forma ou de outra", escreveu Trump em sua conta no Twitter. "Este caso será resolvido pela Suprema Corte!", prometeu. A justificativa do presidente é que a 14ª Emenda à Constituição trata das pessoas sujeitas à jurisdição e que isso não tem exceções, a exemplo dos filhos de diplomatas.

"O direito à nacionalidade por nascimento define o que somos como nação e é o núcleo central do patrimônio americano e de sua história. Eliminar o direito à nacionalidade por nascimento não fará nada para resolver as nossas questões com a imigração", afirmou Beth Werlin, diretor executivo da ONG American Immigration Council (Conselho de Imigração Americana).

Os EUA estão na reta final da campanha eleitoral das eleições de meio mandato, que devem ser apertadas, e nas quais o Partido Republicano pode perder o controle do Congresso, motivo pelo Trump tem reiteradamente tentado colocar a imigração no centro do debate político.

O presidente americano pressionou o México para impedir a passagem de migrantes centro-americanos e pôs em dúvida o direito constitucional à cidadania para filhos de migrantes nascidos em território americano. Para a maioria dos especialistas, no entanto, seria necessária uma reforma constitucional com maioria de dois terços do Congresso para modificar o texto.

Fluxo migratório

A violência na América Central, especialmente no chamado Triângulo do Norte (El Salvador, Honduras e Guatemala), levou famílias inteiras aos Estados Unidos. O maior destaque ocorreu em 13 de outubro quando um grupo de migrantes que saiu de San Pedro Sula, em Honduras, chamou a atenção do presidente – que desde então se refere ao tema quase diariamente e prometeu freá-la.

A ONU estima que a caravana chegou a ter 7 mil migrantes, mas, na última segunda-feira, as autoridades estimaram que era composta por 3,5 mil pessoas que avançam pelo estado de Oaxaca, no sul do México.

Um segundo grupo de migrantes, composto por cerca de 2 mil pessoas, avança por Chiapas, o Estado mexicano que faz fronteira com a Guatemala.

Em seus tuítes matinais, também se referiu ao papel do México na hora de frear os migrantes que saem da América Central. "As caravanas estão compostas por alguns guerreiros muito experientes e outras pessoas. Lutaram dura e agressivamente contra o México na fronteira norte para abrir passagem. Os soldados mexicanos feridos não puderam, ou não quiseram, impedir a caravana", disse Trump no Twitter nesta quarta-feira.

"Deveriam tê-los detido antes de chegarem à nossa fronteira, mas eles não vão conseguir!", advertiu o presidente americano.

A essas duas caravanas se somam uma marcha de salvadorenhos que saiu de seu país no domingo, e outro grupo de cerca de 1.000 pessoas que partiu nesta quarta da capital, San Salvador. / AF

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