Alex Edelman/AFP
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Trump agora diz que usar máscaras é 'patriótico'

Presidente americano vinha sendo duramente criticado por se recusar a cobrir o rosto durante a pandemia; declaração aponta para mudança de estratégia política

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2020 | 18h43

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Donald Trump, considerou nesta segunda-feira, 20, que usar máscara é "patriótico", declaração que contrasta com seu ceticismo inicial e aponta para uma mudança de estratégia política.

"Nós estamos Unidos em nossos esforços para derrotar o vírus invisível chinês, e muitas pessoas dizem que é patriótico usar uma máscara facial quando você não consegue respeitar distância social. Então ninguém é mais patriota que eu, seu presidente favorito", escreveu Trump em seu Twitter.

O presidente, que culpa Pequim pelo coronavírus, completou sua mensagem com uma foto em preto e branco na qual aparece com o rosto coberto por uma máscara.

A foto foi feita durante uma visita de Trump ao hospital militar Walter Reed, nos arredores de Washington, no dia 11 de julho. Foi a primeira vez que ele apareceu de máscara em público desde o início da pandemia.

Em seguida, o presidente afirmou que as máscaras "têm hora e local adequados" e que concordou em usá-las porque era um hospital que ele estava visitando, mas não esclareceu se continuaria usando-as em outras circunstâncias.

Trump tem sido amplamente criticado por resistir a usar máscaras para dar o exemplo a muitos de seus seguidores, que acreditam que a obrigação de usá-las violaria suas liberdades individuais.

Segundo relatos da imprensa, o presidente disse a seus assessores em março que usar uma máscara poderia "passar uma imagem de fraqueza", e alguns analistas acreditam que sua relutância em usá-la tem a ver com uma ideia incompreendida de masculinidade.

Em termos absolutos, os EUA continuam sendo o país mais afetado pela pandemia, com mais de 3,8 milhões de casos e mais de 140.800 mortes, de acordo com a contagem independente da Universidade Johns Hopkins.

Trump se recusou a traçar uma estratégia nacional para lidar com o vírus e recebeu inúmeras críticas, que se refletem nos resultados das pesquisas para as eleições de novembro, nas quais o presidente está concorrendo à reeleição e enfrenta o candidato democrata Joe Biden.

Biden aparece cerca de nove pontos à frente de Trump nas intenções de voto, de acordo com levantamento do site Real Clear Politics.

Diante dessa situação, Trump parece querer mudar sua estratégia e hoje anunciou que dará entrevistas coletivas diárias para relatar a situação do coronavírus.

No início da pandemia, o presidente e outros membros do governo ofereceram coletivas de imprensa diárias para informar sobre o vírus, mas esses eventos foram interrompidos há três meses, quando alguns estados começaram a reabrir suas economias. /EFE

 

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