AP Photo/Andrew Harnik
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Trump alerta Coreia do Norte para que ‘não subestime’ os EUA

Após o discurso, no qual ofereceu ‘um caminho para um futuro melhor’, presidente americano embarcou para a China, onde busca apoio para convencer Pyongyang a renunciar a seu programa nuclear

O Estado de S.Paulo

08 Novembro 2017 | 04h15
Atualizado 08 Novembro 2017 | 08h34

PEQUIM - O presidente dos EUA, Donald Trump, fez uma nova advertência ao líder norte-coreano, Kim Jong-un, a quem pediu que "não subestime" a determinação de Washington, em meio à crescente tensão pelo programa nuclear de Pyongyang. Ao mesmo tempo, o republicano ofereceu "um caminho para um futuro melhor".

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"As armas que você está desenvolvendo não lhe darão mais segurança. Você está colocando seu regime diante de um grave perigo", alertou durante um discurso no Parlamento em Seul. "Apesar de todos os crimes cometidos contra Deus e contra os homens, nós vamos lhe oferecer um caminho para um futuro melhor (...). A Coreia do Norte não é o paraíso com o qual seu avô sonhava. É um inferno que ninguém merece", disse Trump a Kim Jong-un.

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Antes de fazer o gesto de conciliação, Trump advertiu a Coreia do Norte de que "chegou o tempo da força". "Não nos subestimem", declarou o presidente, afirmando que não deixará que "as cidades americanas sejam ameaçadas de destruição".

"Todas as nações responsáveis devem se unir para isolar o brutal regime" norte-coreano. "Não se pode apoiar, fornecer ou aceitar" o regime de Kim, disse o presidente em seu discurso no Parlamento, em clara referência à China e à Rússia. Trump recordou ainda que Kim Jong-un lidera uma "ditadura cruel" na Coreia do Norte.

Após o discurso, o presidente americano viajou para a China, terceira escala de sua visita à Ásia. Na manhã desta quarta-feira, 8, Trump tentou realizar uma visita surpresa à Zona Desmilitarizada que divide a península coreana, mas desistiu em razão do mau tempo.

A Casa Branca havia informado que o presidente não visitaria a região, mas Trump deixou seu hotel em Seul de manhã e embarcou em um helicóptero na base militar de Yongsan. O Marine One chegou a decolar, mas acabou regressando. O presidente ainda aguardou durante quase uma hora a melhora do tempo, mas foi obrigado a cancelar o programa.

A visita à Zona Desmilitarizada - onde os soldados de Seul e Pyongyang ficam separados por uma faixa de segurança marcada por blocos de concreto - é habitual na agenda dos presidentes americanos que viajam ao país.

Trump busca o apoio de Pequim para convencer a Coreia do Norte a renunciar a seu programa nuclear. "Espero com muito impaciência a reunião com o presidente Xi (Jinping), que acaba de obter uma grande vitória política", escreveu o republicano no Twitter algumas horas antes de chegar à China. O republicano se referia ao novo mandato de cinco anos obtido por Xi no recente Congresso do Partido Comunista da China (PCCh).

A China, responsável por 90% do comércio com a Coreia do Norte, está em uma posição crucial para pressionar o regime de Kim Jong-un, que em setembro realizou um novo teste nuclear. O governo chinês se comprometeu a aplicar estritamente as últimas sanções da ONU contra Pyongyang, mas rejeita as ameaças de Trump e defende um diálogo com o país vizinho.

Cidade Proibida

Trump e sua mulher, Melania, foram recebidos na Cidade Proibida, o antigo palácio imperial chinês, por Xi Jinping e a primeira-dama, Peng Liyuan, dando início à agenda do governante americano em Pequim.

Os dois casais passearam pelos gigantescos e empedrados pátios do palácio, construído no século 15, que foi residência dos soberanos chineses e centro de poder nas dinastias Ming e Qing (até 1911).

Xi e Peng mostraram aos Trump as distintas dependências imperiais. Ainda nesta quarta-feira, eles devem assistir no mesmo palácio a um espetáculo de ópera e, em seguida, participar de um banquete privado. / AFP e EFE

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