AP Photo/Jacquelyn Martin
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Trump diz que aumentou sanções contra Irã e cancelou ataque militar

No Twitter, presidente americano afirma ter considerado desproporcional um ataque a alvos iranianos depois de ser informado que 150 pessoas seriam mortas; autoridades de Teerã afirmam que Washington quer 'conversar sobre vários assuntos'

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2019 | 09h45
Atualizado 21 de junho de 2019 | 11h17

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,  afirmou nesta sexta-feira, 21, que impôs novas sanções contra o Irã depois de o país ter abatido um drone de vigilância americano e ressaltou que não tem pressa em responder militarmente, explicando que cancelou no último instante os ataques previstos para esta madrugada.

Em sua tradicional série de tuítes matinais, Trump disse que anulou os ataques, que visaria três alvos iranianos, 10 minutos antes do horário previsto, afirmando ter sido informado que provocaria cerca de 150 mortos, "algo desproporcional", a seu ver, pelo abate de uma aeronave não tripulada.

"Estávamos carregados e engatilhados para retaliar ontem à noite em 3 locais diferentes quando eu perguntei, quantos morreriam. 150 pessoas, foi a resposta de um general. 10 minutos antes do ataque eu o interrompi... (Por considerar) uma medida não proporcional ao abate de um drone não tripulado", escreveu o republicano em sua conta no Twitter.

"Não tenho pressa. Nosso Exército está reconstruído, novo e pronto para agir, de longe é o melhor do mundo. As sanções estão atuando e mais foram adicionadas na noite passada. O Irã NUNCA pode ter armas nucleares, nem contra os EUA, e nem contra o MUNDO!", completou Trump.

Nesta sexta, várias empresas aéreas disseram que alteraram suas rotas para evitar que os voos passem sobre o Estreito de Ormuz em razão da tensão entre Teerã e Washington.

Alerta aos iranianos

Autoridades do Irã disseram nesta sexta que o país recebeu uma mensagem de Trump, alertando que um ataque americano ao Irã é iminente, mas dizendo que não quer guerra, e sim debater uma série de assuntos.

“Em sua mensagem, Trump disse que é contra qualquer guerra com o Irã e que quer conversar com Teerã sobre vários assuntos”, disse uma das autoridades à agência Reuters, pedindo anonimato.

“Ele deu um período de tempo curto para receber nossa resposta, mas a resposta imediata do Irã foi que cabe ao líder supremo aiatolá Ali Khamenei decidir sobre esta questão”, disse a fonte.

Uma segunda autoridade iraniana disse: “Deixamos claro que o líder é contra qualquer conversa, mas a mensagem será transmitida para que ele tome uma decisão”. “Entretanto, dissemos à autoridade omanense que qualquer ataque contra o Irã terá consequências regionais e internacionais”.

Após semanas de tensão crescente, na esteira de uma série de ataques a navios-tanque na região do Golfo Pérsico, o Irã disse na quinta-feira que abateu um drone militar de vigilância dos EUA com um míssil terra-ar. Nesta sexta, um militar do país disse que foram feitos ao menos dois alertas antes de o drone ser derrubado.

Após a derrubada da aeronave, Trump sinalizou que não está disposto a uma escalada no impasse com o regime em reação às suas atividades nuclear e de mísseis balísticos e ao seu apoio a forças que atuam em seu nome em vários conflitos no Oriente Médio.

Ele disse que o drone pode ter sido abatido por engano por alguém que estava agindo “como um idiota descontrolado”, mas acrescentou: “Este país não o tolerará”.

O incidente agravou os temores globais de um confronto militar direto entre os inimigos de longa data, e nesta sexta-feira os preços do petróleo subiram mais um dólar por barril, passando de US$ 65,50, devido às apreensões a respeito de possíveis transtornos nas exportações de petróleo cru do Golfo.

Segundo um funcionário de alto escalão dos EUA citado pelo NYT, aviões decolaram e navios foram posicionados para um ataque retaliatório ao Irã, mas depois receberam ordens de não agir, e nenhuma arma foi disparada.

Teerã disse ter abatido um drone de vigilância sem armas Global Hawk enquanto ele espionava parte de seu território litorâneo, e nesta sexta-feira a televisão estatal mostrou o que disse serem seções recuperadas da aeronave. Já Washington afirmou que o drone estava no espaço aéreo internacional sobre o Estreito de Hormuz. / REUTERS e AFP

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