EFE/ Michael Reynolds
EFE/ Michael Reynolds

Trump ameaça enviar 5 mil militares para resolver crise na Venezuela

Após reunião com líder colombiano, Iván Duque, presidente americano diz que Maduro cometeu ‘erro grave’ ao impedir entrada de ajuda humanitária e sugere que intervenção é uma das opções estudadas pela Casa Branca

Beatriz Bulla, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2019 | 20h32

O  presidente dos Estados UnidosDonald Trump, voltou a dizer nesta quarta-feira, 13, que “todas as opções estão sobre a mesa” quando o assunto é a crise na  Venezuela. Em encontro com o presidente da Colômbia, Iván Duque, na Casa Branca, Trump deixou em aberto mais uma vez o quão longe o governo americano pretende chegar caso Nicolás Maduro não deixe o poder mesmo com a progressiva pressão doméstica e internacional contra seu governo. 

“Sempre temos um plano B, C e D, e E, e F”, disse Trump aos jornalistas ao ser questionado se há uma estratégia definida pela Casa Branca para o caso de Maduro não deixar o poder. 

Duque tem descartado a possibilidade de uma ação militar, que também enfrentaria resistência do Congresso americano. Na Casa Branca, o presidente da Colômbia enfatizou o papel do “cerco diplomático cada vez mais efetivo”. 

Trump foi questionado se pretendia enviar 5 mil soldados à Colômbia. “Vamos ver”, respondeu o americano. A frase “5 mil soldados para a Colômbia” foi vista no caderno de anotações do assessor para Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, durante pronunciamento à imprensa no final de janeiro.

A Colômbia foi um dos primeiros países a reconhecer o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, como presidente interino do país, após os EUA terem feito o movimento inicial. A Colômbia é um dos mais afetados pela crise venezuelana e já recebeu mais de 1 milhão de imigrantes venezuelanos.

Iván Duque afirmou, após a reunião com Trump, que é preciso transmitir uma mensagem “muito forte à ditadura: obstruir a entrada de ajuda humanitária é um crime contra a humanidade”. Com isso, o colombiano indica mais complicações para Maduro no cenário externo. Em setembro, seis países – entre eles a Colômbia – enviaram ao Tribunal Penal Internacional (TPI) um pedido de investigação por crimes de lesa-humanidade supostamente cometidos por Maduro. 

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Nas palavras de Trump, o bloqueio da entrada de medicamentos e alimentos enviados por países como EUA e Canadá foi um “erro terrível” de Maduro e um exemplo do que pode ocorrer quando maus governantes estão no poder. O regime de Maduro afirma que os EUA pretendem usar a entrada da ajuda humanitária para um golpe de estado.

Duque afirmou que é preciso garantir a chegada de ajuda humanitária aos venezuelanos. Guaidó organiza formas de fazer a ajuda humanitária chegar à população no próximo dia 23.

Em declaração conjunta, os dois presidentes afirmaram que Colômbia e EUA estão comprometidos em “adotar passos para solucionar a crise democrática e humanitária” na Venezuela. No comunicado, os dois países dizem ainda que ficam lado a lado, com “muitas outras nações”, diante do que classificaram como “provocações do ilegítimo e ex-ditador da Venezuela Nicolás Maduro e daqueles que trabalham em seu nome para minar a segurança da região”.

Duque permanece nos EUA até sábado, entre Washington e Nova York. No primeiro dia, além da reunião na Casa Branca, o colombiano se reuniu com autoridades políticas do país, como a presidente da Câmara dos Deputados, a democrata Nancy Pelosi, e com o embaixador de Guaidó nos EUA, Carlos Vecchio. O venezuelano pediu a Duque a continuidade da pressão da comunidade internacional sobre Maduro.

Trump insinuou nesta quarta-feira, 13, que a Colômbia está atrasada no trabalho de erradicação do cultivo de coca, mas Duque defendeu o ritmo de trabalho de seu governo nessa área. “Estamos trabalhando juntos para que a Colômbia erradique o que está sendo cultivado. Neste momento eu não diria que está (sendo cumprido) antes do programado, mas espero que o façam em algum momento no futuro próximo”, disse Trump. Duque, por sua vez, afirmou que “nos primeiros quatro meses” do seu mandato foram erradicados “60 mil hectares, muito mais do que foi erradicado nos últimos seis meses”.

 

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