AP Photo/Evan Vucci
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Trump ameaça ex-diretor do FBI e sugere que pode ter gravações de conversas

Após as contradições sobre a demissão de James Comey, presidente disse que pode acabar com as coletivas de imprensa e distribuir as respostas por escrito ‘em benefício à rigorosidade’

O Estado de S.Paulo

12 Maio 2017 | 14h50
Atualizado 12 Maio 2017 | 17h10

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou nesta sexta-feira, 12, o ex-diretor do FBI (Polícia Federal americana) James Comey, e pediu que ele ficasse em silêncio sobre as conversas realizadas entre os dois.

"James Comey melhor que não haja 'fitas' de nossas conversas antes que comece a vazar para a imprensa", escreveu o mandatário em sua conta no Twitter. A publicação pareceu uma ameaça e lembrou o sistema implementado pelo ex-presidente Richard Nixon (1961-1974), que gravava suas conversas telefônicas e na Casa Branca com seus interlocutores, um hábito que acabou sendo usado contra ele no escândalo Watergate.

Reportagem do site da emissora CNN afirma que o ex-diretor "não está preocupado sobre nenhuma fita" de gravação das conversas entre ele e o presidente. Fontes próximas de Comey afirmaram que, se houver alguma gravação, "não há nada  com o qual Comey precise se preocupar" com relação ao conteúdo.

Desde a demissão abrupta de Comey - cujas circunstâncias ainda são pouco claras -, o presidente não tentou acalmar os ânimos ou tranquilizar os críticos que, sem falar em crise constitucional, temem uma tentativa de intimidação ou de desestabilização da Polícia Federal americana e da Justiça, da qual o FBI é dependente.

Na imprensa americana, muitas fontes anônimas dentro da Casa Branca e da administração descreveram um ambiente confuso e de tensão nos últimos dias, com a versão oficial do afastamento adquirindo ares cada vez mais pessoais.

Ainda nesta sexta-feira, Trump sugeriu acabar com as coletivas de imprensa e distribuir respostas por escrito "em benefício à rigorosidade", depois das contradições sobre a demissão de Comey. "Talvez seria melhor cancelar todas as futuras entrevistas coletivas e distribuir respostas escritas em benefício à rigorosidade?", questionou ele.

Inicialmente, a razão oficial dada para a demissão de Comey foi o comportamento dele na condução da investigação sobre os e-mails da ex-candidata democrata à presidência Hillary Clinton, que teria utilizado um servidor privado para tratar de assuntos confidenciais. Ele foi criticado por ter realizado uma coletiva de imprensa e depois ter anunciado a retomada das investigações poucos dias antes do pleito.

A Casa Branca garantiu que o afastamento não tinha relação com a investigação em curso do FBI sobre a eventual ligação entre membros da equipe de campanha de Trump e a Rússia.

Explicações. Em entrevista à NBC na quinta-feira, o mandatário disse que sempre teve a intenção de demitir Comey da chefia do FBI, o que contradiz a informação da Casa Branca de que o presidente agiu por recomendação de altos funcionários da Justiça. "Quando me decidi, disse a mim mesmo 'esse negócio com a Rússia, Trump e a Rússia, é uma história inventada'".

Há meses, Trump tem se mostrado furioso com o fato de seu nome ser mencionado na investigação, insistindo não haver provas de conluio, e acusando a imprensa de alimentar artificialmente o caso em vez de noticiar suas decisões econômicas ou de segurança. Segundo o presidente, ele pediu diretamente a Comey, em conversas por telefone, que confirmasse que não era alvo da investigação.

O grau de descontentamento do magnata era claro em seus tuítes nesta manhã. "Os meios de comunicação falsos estão fazendo horas extras hoje!", escreveu. "Mais uma vez, a história de conluio entre os russos e a campanha Trump foi inventada pelos democratas como um pretexto para justificar sua derrota na eleição", ressaltou. / AFP e EFE

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