REUTERS/Mohammed Salem
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Trump ameaça fechar fronteira com o México se Congresso não financiar muro

Presidente americano disse que será forçado a interromper a ligação entre os dois países se os 'democratas obstrucionistas' não incluírem no orçamento de 2019 a verba necessária para a construção da barreira prometida por ele

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2018 | 11h14
Atualizado 28 de dezembro de 2018 | 13h56

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou, nesta sexta-feira, 28, "fechar completamente" a fronteira com o México, a menos que o Congresso aprove recursos para financiar um muro entre os dois países, em meio a uma queda de braço que levou à paralisação parcial do governo americano desde o dia 22.

"Nos veremos forçados a fechar a fronteira sul completamente, se os democratas obstrucionistas não nos derem dinheiro para terminar o muro e também o aval para mudar nossas ridículas leis migratórias", escreveu Trump em sua conta no Twitter. 

A ameaça de Trump surge no meio da paralisação parcial que afeta 25% das agências governamentais, depois que os congressistas fracassaram em sua tentativa de chegar a um acordo sobre o financiamento ao muro de Trump. O "fechamento" da administração federal deve se prolongar até 2019 devido à dificuldade da Casa Branca e da oposição democrata chegarem a um acordo.

A Casa Branca pediu ao Congresso que inclua uma verba de US$ 5 bilhões para a barreira fronteiriça, mas os democratas se negam e, por enquanto, só estão dispostos a destinar US$ 1,3 bilhão para a segurança fronteiriça e com restrições que impedem a construção do muro.

Esta é a terceira paralisação que Trump enfrenta desde que chegou ao poder no início de 2017. A primeira aconteceu em janeiro deste ano, coincidindo com seu primeiro aniversário na Casa Branca, e teve duração de três dias; enquanto a segunda foi em fevereiro e vigorou por apenas algumas horas.

Trump considera que o fechamento da fronteira seria uma "operação com fins lucrativos" pois, para ele, os EUA perdem dinheiro ao fazer negócios com o México através do Tratado de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês), que está em vigor desde 1994 e será substituído por um novo acordo.

O novo tratado, batizado de T-MEC, foi assinado em outubro por Trump, pelo primeiro-ministro canadense Justin Trudeau e pelo então presidente mexicano Enrique Peña Nieto, mas ainda deve ser ratificado pelos Congressos dos três países para entrar em vigor.

"Os EUA perdem muito dinheiro em comércio com o México sob o Nafta, mais de US$ 75 bilhões ao ano (sem incluir o dinheiro das drogas, que seria muito superior a esse valor), por isso eu consideraria que o fechamento da fronteira seria uma 'operação com fins lucrativos'", escreveu Trump.

"Construiremos um muro ou fecharemos a fronteira. Vamos trazer de volta aos EUA nossa indústria automotiva, para onde ela pertence. Retornaremos ao pré-Nafta, antes que muitas de nossas empresas e empregos fossem enviados tão tolamente ao México", acrescentou o presidente.

Ameaça recorrente

Em novembro, Trump já tinha ameaçado fechar "toda a fronteira" com o México, "se chegar ao nível em que vamos perder o controle, ou as pessoas vão começar a ficar feridas".

Dias depois, as autoridades americanas fecharam uma passagem no sul da Califórnia, quando centenas de imigrantes - parte da "caravana" condenada por Trump e procedente da América Central - tentaram forçar uma cerca na cidade mexicana de Tijuana.

Com o fechamento temporário, os agentes de fronteira suspenderam o fluxo de veículos e pedestres no ponto de San Ysidro, um dos mais movimentados entre os dois países. / AFP e EFE

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