Jonathan Ernst / Reuters
Jonathan Ernst / Reuters

Trump ameaça Guatemala com vetos e tarifas por desacordo sobre imigração

Presidente americano afirmou que estava preparado para 'seguir adiante' com acordo, mas que agora estuda 'vetos, tarifas e impostos às remessas'

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2019 | 02h51

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou a Guatemala com "vetos, tarifas e impostos às remessas" nesta terça-feira, 23, porque, segundo o magnata, o país decidiu romper com um acordo fechado com Washington relacionado ao pacto conhecido como "terceiro país seguro".

O governo de Trump busca um acordo com a Guatemala para enviar de volta ao país solicitantes de asilo que cheguem aos EUA. O acordo chamado "terceiro país seguro" permitiria aos EUA enviar ao país centro-americano qualquer solicitante de asilo não guatemalteco para que lá eles sejam protegidos. 

"A Guatemala, que vem formando caravanas e enviou um grande número de pessoas para os Estados Unidos, algumas com antecedentes criminais, decidiu romper o acordo que eles tinham conosco para assinar um necessário Acordo de Terceiro (País) Seguro", escreveu Trump no Twitter. 

Trump se referia a um novo procedimento anunciado neste mês pelo governo que estabelece "países seguros", a princípio México e Guatemala, nos quais os estrangeiros que desejassem pedir asilo precisariam tramitar as solicitações se passassem por eles, de modo a não serem rechaçados ao chegarem aos EUA. O presidente americano afirmou que o governo estava preparado para "seguir adiante" com o acordo, mas que agora está estudando "vetos, tarifas e impostos às remessas" e que pode aplicar "todas" as opções anteriores.

O presidente também lembrou o corte, nove meses atrás, dos "dólares dos contribuintes americanos" destinados à ajuda para o desenvolvimento da Guatemala, considerando que eles não deram os resultados esperados nem impediram a imigração ilegal para os Estados Unidos. 

No ano fiscal de 2018, encerrado em 30 de setembro, Washington alocou cerca de US$ 149 milhões para a Guatemala para aliviar as condições que causam a migração. Trump, que fez da luta contra a imigração ilegal uma bandeira de seu mandato, deveria receber em 15 de julho o guatemalteco, Jimmy Morales, em meio à crescente chegada de imigrantes sem documentação regular aos Estados Unidos, a maioria deles procedentes do chamado Triângulo Norte da América Central (Guatemala, Honduras e El Salvador) fugindo da pobreza e da violência.

Morales, no entanto, suspendeu a reunião depois que a Corte Constitucional (CC) guatemalteca decidiu que qualquer acordo para tornar a Guatemala um terceiro paísseguro para migrantes em busca de asilo deve ser aprovado antes pelo Congresso. Em uma mensagem no Facebook, Morales criticou a CC por se envolver na política externa e disse esperar que a corte "assuma" as "consequências de suas decisões".

Apesar das declarações de Trump, na segunda-feira, 22, o Departamento de Segurança Nacional (DHS, em inglês) anunciou em comunicado que ambas as partes "continuavam realizando grandes avanços" para adotar um "enfoque regional" para lidar com a imigração irregular. "Ambos os países alcançaram vários acordos em termos de como reforçar a colaboração, ampliar a capacidade para receber imigrantes, adjudicar solicitações de asilo, alojamento e retirada de infraestruturas", detalhou o órgão americano./ AFP e EFE

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