Kevin Lamarque/Reuters
Kevin Lamarque/Reuters

Trump ameaça romper laços com China por pandemia e diz que não vai falar com Xi

Tensão entre as maiores potências do mundo disparou por causa da pandemia de coronavírus, que presidente americano chama de 'praga chinesa'

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2020 | 19h24

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, endureceu nesta quinta-feira, 14, sua retórica contra a China, dizendo que não vai falar com seu colega Xi Jinping e ameaçou cortar laços bilaterais devido à maneira como Pequim lidou com a pandemia da covid-19.

A tensão entre as maiores potências do mundo disparou por causa da pandemia de coronavírus, que Trump chamou de "praga chinesa". "Tenho uma relação muito boa, mas agora não quero falar com ele", disse Trump à rede Fox Business, assegurando que está "muito decepcionado" com a gestão da pandemia por parte do governo chinês.

Questionado se os Estados Unidos poderiam adotar medidas de retaliação, Trump não deu mais detalhes, mas alertou em tom ameaçador: "Há muitas coisas que poderíamos fazer. Poderíamos fazer coisas. Poderíamos cortar todas as relações".

"Se fizesse isso, o que poderia acontecer?", questionou Trump. "Economizaria (US$) 500 bilhões, se cortasse todas as relações", completou.

A tensão entre Estados Unidos e China aumentou nas últimas semanas, devido às trocas de acusações sobre a origem da pandemia de coronavírus, que já causou mais de 300 mil mortes.

Trump afirmou que Pequim ocultou a verdadeira escala do surto, deflagrado no fim de 2019 na cidade de Wuhan, centro da China, o que permitiu sua propagação.

O governo chinês nega essa acusação e insiste em que transmitiu todas as informações disponíveis à Organização Mundial da Saúde (OMS) o mais rápido possível.

Trump insistiu nas acusações durante entrevista com a Fox. "Tudo veio da China, e eles deveriam ter impedido", alegou. "É muito triste o que aconteceu no mundo e em nosso país com todas essas mortes", acrescentou. 

O secretário de Estado, Mike Pompeo, também acusou Pequim nesta quinta-feira. "Enquanto os Estados Unidos e nossos aliados e parceiros estão coordenando uma resposta coletiva e transparente para salvar vidas, a República Popular da China continua a silenciar cientistas, jornalistas e cidadãos e disseminar a desinformação, o que exacerba os perigos dessa crise de saúde", afirmou Pompeo.

Acusações de hackers

A disputa entre os Estados Unidos e a China pela pandemia levanta dúvidas sobre o acordo comercial parcial alcançado em janeiro que estabeleceu uma trégua em sua guerra tarifária. 

No início da semana, Trump descartou a possibilidade de renegociação do acordo depois que a imprensa indicou que a China queria reabrir as negociações. 

Na sexta-feira, o principal negociador da China, Liu He, falou ao telefone com seus colegas americanos e disse que os dois lados concordaram em implementar a primeira fase do acordo. 

No entanto, a guerra retórica é travada aos poucos. Autoridades dos EUA tensionaram ainda mais a troca de acusações ao afirmarem que hackers chineses estão tentando obter dados sobre tratamentos e vacinas contra coronavírus. Eles também alertaram que essa tentativa envolve grupos e pessoas relacionadas ao governo chinês. 

O FBI e a agência federal de segurança cibernética disseram que os esforços da China representam uma "ameaça significativa" à resposta dos Estados Unidos ao covid-19, quando dezenas de empresas, institutos e governos ao redor do mundo estão correndo para desenvolver uma vacina.

Pequim nega as acusações e considera que tentam travar uma guerra suja em um momento em que foi desmentida a insinuação de que o coronavírus teria surgido em um laboratório de Wuhan.

Questionado pela Fox Business sobre os motivos dessa acusação, Trump foi menos categórico do que em outras épocas e até pareceu atenuar. "Temos muita informação e isso não é bom. Mas, o pior de tudo, se veio de um laboratório ou de um morcego, é que veio da China e eles devem contê-lo", disse. / AFP 

 

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