REUTERS/Jonathan Ernst
REUTERS/Jonathan Ernst

Trump desiste de fechar fronteira esta semana e dá um ano para México frear imigração e narcotráfico

Presidente americano mantém pressão para que país vizinho tome atitudes e fala em impor tarifas a carros mexicanos

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2019 | 13h34
Atualizado 05 de abril de 2019 | 10h59

WASHINGTON -  Num distanciamento de sua ameaça de fechar a fronteira dos Estados Unidos com o México nesta semanao presidente americano, Donald Trump, deu um novo prazo nesta quinta-feira, 4, ao país vizinho e reforçou os pedidos para que o México impeça a travessia  de imigrantes ilegais na divisa. Trump prometeu uma medida "menos drástica", que envolveria a taxação de carros importados do México em vez do bloqueio fronteiriço, num prazo de um ano caso a meta não seja cumprida. 

Na semana passada, Trump havia dado um ultimato aos mexicanos: ou interrompiam a entrada de imigrantes ilegais nos EUA ou ele fecharia a fronteira em uma questão de dias. "Não estou brincando", avisou. Seu chefe de gabinete, disse que seria necessário "algo dramático" para que o presidente mudasse de ideia. 

O alerta preocupou empresários e economistas, que viram o risco de um prejuízo de até US$1,7 bilhão por dia, caso a medida fosse colocada em vigor, segundo a Câmara de Comércio dos EUA. O México exporta 80% de sua produção automotiva para os Estados Unidos e o Canadá. 

"O México entende que ou fechamos a fronteira ou eu vou taxar os carros. Será um ou outro, mas provavelmente optaremos pelas tarifas", disse Trump. 

O líder republicano ainda vinculou o possível fechamento da fronteira a um prazo de "um ano para que as drogas vindas do México deixem de entrar nos Estados Unidos". O presidente, no entanto, não deu detalhes de como enfrentaria o problema da demanda de drogas por usuários nos EUA. 

"Assim que tivermos as tarifas, se a imigração não parar, vamos dar um ano... Se as drogas (e os imigrantes) continuarem entrando, vamos pôr mais taxas", disse.

Resposta

O governo mexicano, por sua vez, ressaltou nesta quinta que é muito importante manter separadas as discussões sobre assuntos migratórios e questões comerciais. “Às vezes o governo dos Estados Unidos mistura esses dois temas”, disse a secretária de Economia do México, Graciela Márquez. “Para nós, é muito importante manter a ratificação do tratado de livre comércio de um lado e os temas migratórios de outro.”

Ainda de acordo com a secretária do gabinete de Andrés Manuel López Obrador, a discussão sobre taxas alfandegárias com os EUA deveria ocorrer na esfera do novo tratado comercial da América do Norte, o T-MEC, que substituirá o Nafta após um ano de negociações. O acordo trata de maneira distinta o comércio de manufaturas automotivas.

Separadamente, exportadores mexicanos disseram nesta semana que estão cogitando enviar seus bens aos EUA por via aérea para evitar uma fila de caminhões de oito quilômetros na divisa. Isso ocorreu porque Trump transferiu agentes federais das verificações alfandegárias para tarefas relacionadas à imigração.

Fabricantes de peças automotivas e equipamentos médicos estão entre as empresas mexicanas que estudam o transporte aéreo mais caro para evitar incorrer em penalidades por entregas atrasadas a clientes dos EUA. / AP, AFP e REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.