AP Photo/Alex Brandon
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Trump anuncia acordo provisório para encerrar paralisação do governo

Presidente diz que plano permitirá a reabertura do governo por três semanas, mas ameaça retomar o shutdown se verba para muro não for liberada

Beatriz Bulla, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2019 | 17h36

WASHINGTON - O presidente americano, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira um acordo provisório com a oposição democrata para reabrir o governo por três semanas e encerrar a paralisação parcial do governo, que já dura 35 dias, é a mais longa da história dos Estados Unidos e deixou 800 mil funcionários públicos sem salários.

Ao fazer o anúncio, Trump manteve a ameaça de declarar emergência nacional para usar verba de outras áreas para a construção do muro caso os democratas não concordem com planos do governo até o dia 15 de fevereiro. “Se não tivermos um acordo justo, o governo ficará paralisado de novo ou eu usarei os poderes que tenho pelas leis e pela Constituição para resolver essa emergência. Teremos segurança”, disse Trump, após fazer uma defesa da proposta de construção do muro para conter a imigração ilegal.

“Nós realmente não temos escolha a não ser construir um muro poderoso ou uma barreira de aço”, disse Trump. Daqui até o dia 15, democratas e republicanos negociarão sobre as previsões de segurança na fronteira. 

O anúncio de Trump é visto como uma derrota do presidente na queda de braço com os democratas e, especialmente, com a presidente da Câmara, a deputada Nancy Pelosi. Até agora, Trump vinha indicando que a previsão de US$ 5,7 bilhões no orçamento para construção do muro, sua promessa de campanha, era inegociável. Mas nas últimas semanas pesquisas mostraram que a população americana associava a culpa pela paralisação mais longa da história dos EUA a Trump.

Uma pesquisa da Fox News, rede de televisão que é simpática ao governo Trump, mostrou nesta semana que 75% dos americanos consideravam a paralisação do governo uma situação emergencial a ser resolvida. A parcela é maior do que aqueles que consideram que há uma crise emergencial na fronteira do país (59%).

O discurso de Trump vem em linha com o que os democratas solicitavam à Casa Branca. Pelosi e os deputados democratas exigiam a reabertura do governo como condição para negociar. O acordo anunciado ontem abriu o caminho para o Senado aprovar leis orçamentárias suficientes para reabrir o governo federal, mesmo sem a previsão da verba para construção do muro.

O projeto que reabre o governo já foi aprovado no Senado por unanimidade, e agora vai para Câmara dos Representantes, onde deve passar com folga, antes de ser enviado para a sanção do presidente. 

“O presidente concordou com nosso pedido para reabrir o governo e então discutir a segurança nas fronteiras”, disse o senador democrata Chuck Schumer, contabilizando o anúncio como uma vitória dos democratas. “Esperamos que agora o presidente tenha aprendido a lição”, disse Schumer logo após Trump anunciar um acordo para financiar temporariamente o governo até 15 de fevereiro. 

“Assim que o presidente firmar a resolução (para acabar com o impasse sobre o orçamento) vamos nos esforçar para chegar a um acordo sobre a segurança na fronteira”, disse.

A longa paralisação parcial do governo passou a provocar transtornos não só para a imagem do presidente, mas também para a sociedade americana. Além dos 800 mil servidores sem receber salários – que, por sua vez, não conseguiram pagar as contas do mês de janeiro, como aluguel – os serviços ficaram afetados.

Um início de caos aéreo foi registrado ontem no aeroporto LaGuardia, em Nova York, Newark, em New Jersey, e da Pensilvânia com atrasos nos voos em razão da menor quantidade de servidores nos postos de trabalho. Os controladores aéreos não foram trabalhar porque não receberam seus pagamentos.

A Bolsa de Nova York fechou em alta ontem, amparada em uma sessão de resultados empresariais encorajadora e pelo acordo que encerra a paralisação do governo. O índice industrial Dow Jones avançou 0,75%, a 4.737,20 pontos. O tecnológico Nasdaq teve alta de 1,29%, a 7.164,86. 

 

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