REUTERS/Kevin Lamarque
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Trump escolhe estrategista militar para ser chefe de Segurança Nacional

General Herbert McMaster substitui Michael Flynn, demitido após conversa com embaixador russo

Cláudia Trevisan / Correspondente, Washington, O Estado de S. Paulo

20 Fevereiro 2017 | 17h11
Atualizado 20 Fevereiro 2017 | 22h40

Donald Trump escolheu nesta segunda-feira, 20, um general que é um dos principais estrategistas e intelectuais do Pentágono para chefiar o Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, a instituição responsável por orientar o presidente dos EUA em decisões de política externa e de natureza militar. 

Herbert McMaster substituirá o general Michael Flynn, que foi demitido 24 dias depois de assumir o cargo por ter mentido sobre conversa telefônica na qual discutiu sanções americanas contra a Rússia em telefonema como embaixador do país em Washington.

Seu desafio imediato será restabelecer o pleno funcionamento do conselho, abalado pela saída de Flynn e a inclusão entre seus integrantes de Stephen Bannon, o representante da extrema direita que é o estrategista-chefe de Trump na Casa Branca. 

“Nunca houve um conselheiro político como membro permanente do Conselho de Segurança Nacional”, disse o senador republicano John McCain no fim de semana. McCain disse estar “muito preocupado” com a atuação simultânea de Bannon como conselheiro político e integrante do conselho.

Na sexta-feira, a instituição teve outra baixa com a demissão de Craig Deare, que era responsável pela divisão das Américas. Seu afastamento foi motivado por críticas às posições de Trump e Bannon em relação ao México. As declarações foram dadas em um encontro fechado no Wilson Center.

Ao escolher McMaster, Trump optou por um militar alinhado com visões predominantes dentro das Forças Armadas sobre a política externa americana. General da reserva, Flynn professava um anti-islamismo radical e defendia a aproximação com a Rússia.

Em 2015, ele foi a Moscou participar do 10.º aniversário da TV estatal, vista como um braço da propaganda russa pelo governo dos EUA. Ele foi pago para estar presente na cerimônia, durante a qual sentou-se ao lado do presidente Vladimir Putin. Em agosto, Flynn disse que o islamismo é um “câncer” que precisa ser extirpado do corpo de “1,7 bilhão de pessoas”.

McMaster tem doutorado em história americana e é um dos responsáveis no Pentágono por projetar como serão as guerras do futuro. Em 1997, ele publicou um livro no qual criticou comandantes militares por não terem questionado a estratégia do presidente Lyndon Johnson na Guerra do Vietnã. O general lutou nas guerras do Golfo (1990-91), do Afeganistão e do Iraque.

 

 

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