Doug Mills/The New York Times
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Trump anuncia que manterá prisão de Guantánamo aberta

Decisão era uma das promessas do presidente dos EUA durante a campanha presidencial, que reverte o esforço de Barack Obama para fechar o centro de detenção

Cláudia Trevisan, correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

31 Janeiro 2018 | 02h10
Atualizado 31 Janeiro 2018 | 08h15

WASHINGTON - Revertendo mais uma política de seu antecessor, o presidente americano Donald Trump anunciou na terça-feira 30 que manterá aberta a prisão de Guantánamo, em Cuba, para onde pretende enviar suspeitos de terrorismo capturados no exterior. Logo que assumiu, Barack Obama assinou decreto que determinava o fechamento do centro militar de detenção, que havia se transformado em uma arma de propaganda de grupos extremistas.

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"Terroristas não são meros criminosos. Eles são combatentes inimigos ilegais. E, quando capturados no exterior, devem ser tratados como os terroristas que são", declarou Trump em seu primeiro discurso sobre o Estado da União, no qual apresentou ao Congresso as prioridades legislativas de sua gestão para este ano.

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Obama não conseguiu fechar a prisão em razão da oposição do Partido Republicano. Mas a população de Guantánamo foi reduzida durante sua gestão de 242 para 41 prisioneiros.

Criada na gestão de George W. Bush após o atentado de 11 de setembro de 2001, Guantánamo foi marcada por casos de tortura e abusos, que alimentaram a propaganda de grupos extremistas contra os EUA. A base não recebe novos prisioneiros desde 2006.

Durante a campanha presidencial, Trump prometeu que manteria a detenção aberta. "Nós vamos enchê-la com alguns caras maus, acreditem, nós vamos enchê-la",  declarou em fevereiro de 2016.

Em novembro, o presidente disse que consideraria a possibilidade de enviar para Guantánamo o autor do atentado que deixou oito pessoas mortas em Nova York, o imigrante do Usbequistão Sayfullo Saipov, que vivia nos EUA de maneira legal desde 2010.

Mas analistas afirmaram que é duvidosa a legalidade da transferência de pessoas que vivem de maneira regular no país para Guantánamo, criada para receber suspeitos detidos no exterior, muitos dos quais nunca chegaram a ser julgados. Segundo os analistas, as cortes americanas são muito mais eficazes na condenação de suspeitos de terrorismo do que o sistema de Guantánamo.

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