AP Photo/Manuel Balce Ceneta, Korea Summit Press Pool via AP
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Trump anuncia reunião com Kim para 12 de junho em Cingapura

Presidente americano disse em sua conta no Twitter que ele e o líder norte-coreano farão 'com que seja um momento muito especial para a paz mundial'

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

10 Maio 2018 | 11h46
Atualizado 10 Maio 2018 | 20h13

WASHINGTON - Considerada a Suíça da Ásia, a pequena ilha de Cingapura será o local do encontro entre o presidente americano,  Donald Trump, e o ditador norte-coreano, Kim Jong-un,  que até poucos meses atrás trocavam insultos e ameaças. Marcada para o dia 12 de junho, a cúpula será a primeira entre líderes dos dois países e terá na agenda o fim do programa nuclear de Pyongyang, um objetivo ambicioso que poucos analistas consideram factível.

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Trump pretende entrar para a história como o presidente americano que garantiu a paz na Península Coreana, mas a experiência anterior mostra que sua tarefa não será simples. Nos últimos 25 anos, vários governos de Washington fecharam acordos com a Coreia do Norte para suspensão de seu programa nuclear. Todos foram abandonados, enquanto Pyongyang avançava na construção de seu arsenal.

No poder desde dezembro de 2011, Kim Jong-un baseou grande parte de sua legitimidade no desenvolvimento de armas nucleares, apresentadas como uma necessidade para a sobrevivência do país diante da agressão dos EUA. 

Há quase um consenso entre os analistas de que o ditador norte-coreano não abandonará suas ambições nucleares, a menos que esteja disposto a realizar uma transformação radical no país mais fechado do mundo.

“O muito antecipado encontro entre mim e Kim Jong-un ocorrerá em Cingapura em 12 de junho. Nós vamos tentar torná-lo um momento muito especial para a paz mundial!”, escreveu Trump no Twitter poucas horas depois de receber três cidadãos americanos libertados pelo regime norte-coreano, no que interpretou como um gesto de boa vontade do ditador da Coreia do Norte. 

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Trump e a primeira-dama, Melania, recepcionaram o grupo no meio da madrugada desta quinta-feira, em um cenário que exaltava o patriotismo de símbolos cultivado pelo presidente.

Atrás do avião que transportou os ex-prisioneiros, havia uma enorme bandeira americana suspensa por dois guindastes. Quando apareceram diante das câmeras, os três fizeram sinal da vitória com as mãos levantadas, sob aplausos de Trump e Melania. “Em nome do povo americano, bem-vindos à casa!”, escreveu o presidente no Twitter.

Em entrevista, Trump classificou de “maravilhoso” o fato de os três cidadãos terem sido libertados.   O desfecho contrasta com o de Otto Warmbier, o estudante que passou 17 meses em uma prisão norte-coreana, da qual saiu em coma em junho, para morrer nos EUA poucos dias depois.

“Estava subentendido que conseguiríamos ter essas pessoas incríveis durante o encontro, para trazê-las de volta para casa”, disse Trump. “Ele foi amável em libertá-las antes da reunião. Quer dizer, francamente, não pensávamos que isso aconteceria, mas aconteceu.”

Neutralidade. Com 5,5 milhões de habitantes, Cingapura é considerada um território neutro, com boas relações com EUA e Coreia do Norte. Outra vantagem é a relativa proximidade com Pyongyang, o que permitirá que a cidade-Estado seja alcançada pelo avião de Kim sem necessidade de escalas. 

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