Robert F. Bukaty / AP
Robert F. Bukaty / AP

Trump demite secretário de Justiça dos EUA, Jeff Sessions

O presidente o culpava por ter aberto a porta para uma investigação independente sobre possíveis conexões entre os russos e sua campanha presidencial em 2016

O Estado de S.Paulo

07 Novembro 2018 | 18h02

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Donald Trump, demitiu o seu secretário de Justiça, Jeff Sessions. A saída de Sessions ocorre um dia após as eleições de meio de mandato e foi anunciada em carta enviada na por ele nesta quarta-feira, 7, ao chefe de gabinete da Casa Branca, John Kelly. “A seu pedido, submeto minha renúncia”, escreveu Sessions no início da mensagem. Trump anunciou sua saída em um tuíte, acrescentando que o assessor de Sessions Matt Whitaker se tornaria o novo secretário de Justiça interino. 

 Sessions era senador pelo Estado do Alabama e foi o primeiro senador republicano a apoiar a candidatura de Trump. Ele trabalhou na campanha presidencial e, por ser visto como fiel aliado, ganhou o cargo de secretário de Justiça após a eleição. 

A relação entre os dois, no entanto, azedou logo após a posse, em fevereiro de 2017. Durante a campanha, Sessions havia se reunido por duas vezes com o embaixador russo nos EUA, Sergei Kislyak. Por isso, foi aconselhado pelo conselho de ética do Departamento de Justiça a rejeitar o comando das investigações sobre conluio entre a campanha republicana e a Rússia. A decisão enfureceu o presidente. “Se eu soubesse disso, não o teria indicado para o cargo”, reclamou Trump.

Com Sessions fora do caminho, em maio de 2017, as investigações recaíram sobre o vice-secretário de Justiça, Rod Rosenstein, que indicou um procurador especial para conduzir o caso: Robert Mueller. Ex-diretor do FBI, Mueller tinha reputação impecável, tanto entre republicanos como entre democratas.

Desde então, Mueller tem conduzido as investigações em absoluto sigilo e discrição. Aos poucos, o cerco ao presidente foi se fechando. Seu ex-chefe de campanha, Paul Manafort, foi indiciado. Rick Gates, número 2 da equipe de campanha, se declarou culpado de falso testemunho e conspiração, em troca de colaborar com o trabalho de Mueller. 

À medida que depoimentos, intimações e indiciamentos respingavam na Casa Branca, Trump se gabava de poder engavetar a investigação a qualquer momento, mas garantiu que não faria nada porque “nunca houve conluio entre sua campanha e os russos”. 

Ao longo dos meses, vários congressistas exigiram que Trump não demitisse Sessions. Republicanos moderados e democratas ameaçaram aprovar uma lei no Congresso que protegesse Mueller e descartaram aprovar qualquer nomeação de um novo secretário de Justiça no Senado.

Em Washington, mesmo assim, aumentaram os rumores de que Trump pretendia assumir o controle das investigações. O caminho mais curto era demitir Sessions e nomear alguém com autoridade sobre Mueller, mas a Casa Branca temia que a saída do secretário de Justiça, se anunciada antes, pudesse afetar o desempenho republicano nas eleições de meio de mandato. 

Imediatamente após a demissão de Sessions, Trump anunciou que Matthew Whitaker assumira de maneira temporária o Departamento de Justiça. Whitaker era chefe de gabinete de Sessions. Em várias ocasiões, ele criticou Mueller e sugeriu que o Departamento de Justiça poderia simplesmente cortar o orçamento da equipe de investigadores para reduzir o ritmo dos trabalhos. 

Analistas jurídicos, no entanto, acreditam que Mueller, um veterano que conhece os meandros da política americana, já previa a manobra do presidente e provavelmente teria se antecipado à decisão, preparando indiciamentos ou acelerando a conclusão das investigações. / W. Post e AP

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