AP Photo/Richard Drew
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Trump anuncia sanções contra empresas que negociam com a Coreia do Norte

Objetivo americano é impedir que Pyongyang tenha condições de seguir financiando seu programa nuclear; China vetará acesso a bancos

Cláudia Trevisan, Enviada Especial / Nova York, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2017 | 13h45
Atualizado 21 Setembro 2017 | 21h42

Dois dias depois de ameaçar “destruir completamente” a Coreia do Norte se necessário, o presidente Donald Trump anunciou novas sanções contra o regime de Kim Jong-un, que têm por alvo bancos que façam transações relacionadas ao comércio exterior de Pyongyang. A China também determinou que suas instituições financeiras restrinjam seus negócios com o país, segundo a agência de notícias Reuters

Se implementadas de maneira efetiva, as medidas dos dois países têm o potencial de estrangular o fluxo de divisas para a Coreia do Norte e privar o país de recursos necessários para pagar suas importações. Também podem desequilibrar suas contas externas e desestabilizar a cotação de sua moeda. 

“Os bancos estrangeiros estão diante de uma escolha clara: façam negócios com os Estados Unidos ou facilitem o comércio com o regime ilegal da Coreia do Norte”, declarou Trump em Nova York, acompanhado do primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, e do presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in. Na semana passada, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou mais uma rodada de sanções contra Pyongyang, em resposta ao teste nuclear realizado no dia 3.

O Banco Central da China ordenou aos bancos do país que obedeçam de maneira estrita as sanções do Conselho de Segurança da ONU contra a Coreia do Norte. Trump agradeceu ao presidente da China, Xi Jinping, pelo “movimento ousado” adotado hoje. “Isso foi movimento um pouco inesperado e eu o apreciei.”

Principal aliado e maior parceiro comercial de Pyongyang, o governo de Pequim é acusado pelos EUA de não implementar de maneira plena as restrições determinadas pela ONU. No mês passado, o Departamento do Tesouro americano impôs sanções a dez empresas russas e chinesas acusadas de realizar negócios proibidos com a Coreia do Norte.

Scott Snyder, especialista em Península Coreana do Council on Foreign Relations, disse que as medidas dão ampla autoridade ao Departamento do Tesouro para punir empresas que realizem transações com a Coreia do Norte. “A princípio, isso vai cortar o acesso da Coreia do Norte ao sistema financeiro dos EUA, mas não será suficiente para bloquear negócios da Coreia do Norte com entidades chinesas ou russas que não tenham exposição ao sistema financeiro americano”, observou. Se a China realmente obrigar seus bancos a cumprir as resoluções da ONU, isso colocará a Coreia do Norte sob “severas limitações e pressão”, avaliou Snyder. “O objetivo é cortar os caminhos usados pela Coreia do Norte para contornar as sanções.”

Em discurso à Assembleia-Geral da ONU, o presidente sul-coreano disse não desejar o “colapso” de seu vizinho do Norte. “Se a Coreia do Norte tomar a decisão de ficar do lado certo da história, estamos prontos para dar assistência à Coreia do Norte.” No mesmo fórum, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, condenou os testes nucleares de Pyongyang, mas defendeu o diálogo e a diplomacia para solucionar a crise, ressaltando que a “histeria militar” é um “desastre”.

 

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