AP Photo/Pablo Martinez Monsivais
AP Photo/Pablo Martinez Monsivais

Trump assina lei que impõe novas sanções econômicas à Rússia

Presidente cede à pressão do Legislativo, mas critica texto aprovado no Congresso e dá sinais de que pode ignorar determinações no futuro

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

02 Agosto 2017 | 12h13

O presidente Donald Trump sancionou nesta quarta-feira a lei que amplia sanções contra a Rússia e limita o poder do Executivo para retirá-las no futuro. O texto obriga a Casa Branca a pedir autorização do Congresso se quiser remover as punições. Mas o republicano afirmou que o texto é “falho” e tem dispositivos “inconstitucionais”, por permitir a interferência dos parlamentares em sua habilidade de definir a política externa. 

Apesar de se opor à proposta, Trump disse que a sancionou em nome da “unidade nacional”. O projeto foi aprovado com o voto quase unânime de republicanos e democratas nas duas Casas do Congresso, em um dos mais simbólicos revezes legislativos do presidente em seus primeiros seis meses de governo.

O forte apoio à medida entre parlamentares governistas e de oposição transformou a assinatura da lei no único caminho politicamente viável para Trump. O eventual veto seria certamente derrubado no Congresso e alimentaria as suspeitas sobre suas relações com o Kremlin.

Em nota distribuída pela Casa Branca, no entanto, o presidente levantou a possibilidade de o Executivo ignorar determinações da lei: “Meu governo avaliará de maneira cuidadosa e respeitosa as preferências expressas pelo Congresso nessas várias provisões e vai implementá-las de maneira consistente com a autoridade constitucional do presidente de conduzir as relações internacionais.”

A lei impõe mais punições à Rússia em retaliação à interferência do país nas eleições americans de 2016 com o objetivo de prejudicar Hillary Clinton. Trump contesta a conclusão dos serviços de inteligência dos EUA de que Moscou atuou para influenciar a disputa. 

Ainda assim, ele sancionou a lei e reconheceu de maneira indireta a ingerência da Rússia. Na nota da Casa Branca, o presidente afirmou que a “América não tolerará interferência em seu processo democrático”. Trump disse que os EUA estarão ao lado de seus aliados contra o que chamou de “subversão e desestabilização russas”. 

Durante a campanha eleitoral e depois de sua posse, Trump deu várias declarações elogiosas ao presidente Vladimir Putin e defendeu que os dois países cooperassem em questões globais. Quando era candidato, ele insinuou que poderia remover sanções à Rússia impostas pelo governo Barack Obama e reconhecer a anexação da Crimeia por Moscou.

Com a aprovação do projeto de lei, congressistas dos dois partidos deixaram evidentes suas suspeitas diante da posição do presidente em relação a um país que veem como adversário dos EUA. A administração anterior impôs sanções à Rússia em 2014, depois da invasão da Ucrânia e anexação da Crimeia, e no ano passado, em resposta à interferência no processo eleitoral americano. 

O texto também impõe restrições econômicas ao Irã e à Coreia do Norte, em razão de seus programas nucleares.

“O Congresso não conseguiu nem negociar um projeto de assistência médica, depois de sete anos de conversa”, atacou Trump. “Eu construí uma empresa verdadeiramente grande, no valor de bilhões de dólares. Essa é grande parte da razão pela qual eu fui eleito. Como presidente, eu posso fazer acordos melhores do que o Congresso.”

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