Ng Han Guan / AP
Ng Han Guan / AP

Trump irrita China ao sancionar lei que apoia manifestantes de Hong Kong

Medida ameaça suspender estatuto econômico especial concedido por Washington à cidade caso não sejam respeitados os direitos dos ativistas; China chama norma de 'abominação absoluta' e ameaça adotar ações de represália

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2019 | 00h07
Atualizado 28 de novembro de 2019 | 15h13

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, irritou o governo chinês ao promulgar na quarta-feira, 27, a lei que apoia os manifestantes pró-democracia em Hong Kong. A China  chamou a norma de "abominação absoluta" e convocou o embaixador americano em Pequim, em um sinal de tensão na já tumultuada relação entre Washington e Pequim, envolvidos em complicadas negociações comerciais.

A lei ameaça suspender o estatuto econômico especial concedido por Washington à ex-colônia britânica caso não sejam respeitados os direitos dos manifestantes. Além disso, permite que o território fique isento das restrições aplicadas à China continental. 

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"Hoje promulguei como lei (...) a ata de 2019 sobre os direitos humanos e a democracia em Hong Kong", escreveu Trump em um comunicado divulgado pela Casa Branca. A decisão do presidente foi celebrada tanto por senadores do Partido Republicano como por membros da oposição democrata.

Proteção dos direitos humanos

O primeiro dos projetos foi aprovado na semana passada pelo Congresso. Ele visa proteger os direitos humanos na ex-colônia britânica. A iniciativa inclui sanções contra autoridades chinesas responsáveis ​​por violações de direitos humanos, como detenções arbitrárias, tortura, confissões forçadas, entre outras.

O texto também exige que o governo americano, por meio do Departamento de Estado, certifique uma vez por ano que a China mantém seu tratamento especial a Hong Kong, com respeito à sua autonomia sob o risco de sanções.

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"Firmei esta resolução por respeito ao presidente Xi (Jinping), à China e ao povo de Hong Kong", explicou o presidente americano. "Foi promulgada com a esperança de que os líderes e representantes da China e de Hong Kong saibam solucionar, de forma amistosa, suas divergências." 

Trump também assinou um segundo texto que proíbe a exportação de equipamentos como gás lacrimogêneo e balas de borracha, utilizados pelas forças de segurança de Hong Kong para reprimir os protestos.

Hong Kong fala em ingerência em assuntos internos

O governo de Hong Kong manifestou seu "profundo pesar" pela adoção da lei, e acusou Washington de "ingerência" nos assuntos internos.

"As duas atas estão interferindo claramente nos assuntos internos de Hong Kong", declarou um alto funcionário do Executivo, avaliando que a resolução "transmite uma mensagem equivocada aos manifestantes".

Já os ativistas pró-democracia elogiaram a medida e acreditam que ela vai impulsionar o consenso internacional a favor do movimento.

O território semiautônomo vive há quase seis meses a maior onda de protestos desde que o Reino Unido o devolveu à China, em 1997. As manifestações na região são frequentemente marcadas por confrontos entre policiais e manifestantes.

'Abominação absoluta', critica China

O governo chinês chamou a lei de "abominação absoluta" e ameaçou adotar represálias, além de convocar o embaixador dos EUA em Pequim, Terry Branstad, pela segunda vez em quatro dias. A resolução "oculta intenções sinistras", afirmou o Ministério das Relações Exteriores chinês. 

Este texto "apoia descaradamente os atos cometidos contra cidadãos inocentes que foram golpeados, feridos e queimados (...) por delinquentes violentos", denunciou o regime chinês.

O vice-ministro das Relações Exteriores da China, Le Yucheng, transmitiu a Branstad a "firme oposição" de seu país e pediu ao governo americano para "corrigir seu erro, não aplicar a lei, para não prejudicar ainda mais as relações e a cooperação sino-americana", segundo um comunicado oficial.

A dúvida central é sobre o efeito que a ratificação da lei pode ter sobre os esforços para encerrar a guerra comercial entre os EUA e a China.

Os protestos em Hong Kong começaram em junho contra um projeto de lei que permitia extradições à China continental. As eleições locais de domingo deram uma grande vitória ao campo pró-democracia, um revés para Pequim e a chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam. / AFP e EFE

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