Heikki Saukkomaa/Lehtikuva via AP
Heikki Saukkomaa/Lehtikuva via AP

Trump assina ordem que dá sinal verde para sanções a quem interferir em eleições americanas 

Documento estabelece um processo formal para impor sanções financeiras e bloqueios tanto contra aqueles que tentarem interferir nos sistemas de votação, como aqueles que espalharem desinformação por meio das redes sociais e internet

O Estado de S.Paulo

12 Setembro 2018 | 17h57

WASHINGTON - O presidente americano, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira, 12, uma ordem executiva que dá sinal verde ao governo para aplicar punições a estrangeiros que interferirem nas eleições americanas de meio de mandato, em novembro. A medida é anunciada em meio ao criticismo de que o presidente americano não tem levado suficientemente a sério as ameaças à segurança das eleições americanas. 

“Vimos indícios de que não apenas a Rússia, como também a China, potencialmente Irã e, até mesmo a Coreia do Norte, de interferir nas eleições legislativas”, afirmou o chefe dos serviços de inteligência, Dan Coats, justificando a ordem.

O documento estabelece um processo formal para impor sanções financeiras e bloqueios tanto contra aqueles que tentarem interferir nos sistemas de votação, como aqueles que espalharem desinformação por meio das redes sociais e internet, dois fenômenos atualmente investigados nos Estados Unidos.

“Estamos olhando para a frente, utilizando como base o que aconteceu em (eleições) 2016 como um aviso para que isso não aconteça de novo”, indicou Coats, que prometeu uma vigilância 24 horas.

Os entusiastas da medida alegam que sob essa ordem, os países e pessoas que tentarem interferir nas eleições americanas saberão exatamente quais serão as consequências. 

Coats e outras autoridades da inteligência disseram que desde o início de 2017 o presidente russo Vladimir Putin empregou um esforço coordenado com pirataria informática e manipulação das redes sociais.

O texto assinado pelo presidente americano aponta para qualquer país, pessoa ou entidade estrangeira que tenha incentivado ou organizado uma tentativa de influenciar o curso das eleições nos Estados Unidos.

O procurador especial do Departamento de Justiça, Robert Mueller, nomeado no ano passado, investiga atualmente uma suposta interferência por parte da Rússia na campanha presidencial de 2016.

O senador democrata da Virgínia, que integra a Comissão de Inteligência do Senado, disse que a ordem executiva deixa o presidente como uma ampla discricionariedade para decidir sobre a imposição de duras sanções. 

“Infelizmente, o presidente Trump demonstrou em Helsinki e em outros lugares que simplesmente não se pode contar com ele para resistir a (presidente russo, Vladimir) Putin quando é preciso”, disse Warner. 

Em julho, durante uma entrevista coletiva ao lado de Putin em Helsinki, Trump foi questionado se ele denunciaria o que aconteceu em 2016 e alertaria a Putin para nunca mais interferir em eleições americanas de novo. Trump não respondeu diretamente à pergunta e conduziu sua fala para um pedido de investigação sobre o uso de um servidor privado de e-mail pela sua ex-adversária democrata Hillary Clinton. Além disso, considerou "extremamente forte e poderosa" a negativa de Putin sobre a suposta interferência. A fala despertou críticas entre republicanos e democratas. 

Trump tem rebatido dizendo que nenhum outro presidente americano tem sido mais duro contra Rússia. Ele citou como exemplo de seu posicionamento duro a imposição de sanções e a expulsão de supostos espiões russos dos EUA. / AFP e AP 

 

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