Kevin Lamarque/Reuters
Kevin Lamarque/Reuters

Trump ataca aliados europeus antes de cúpula da Otan

Presidente americano disse que declarações de Emmanuel Macron afirmando que aliança está em 'morte cerebral' foram 'insultantes' e 'desagradáveis'; ele também cobrou que países como Alemanha cumpram compromisso de investir 2% do PIB

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2019 | 10h52

LONDRES - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou duramente os aliados europeus antes de uma cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Londres nesta terça-feira, 3, com destaque para o líder francês, Emmanuel Macron, por comentários negativos a respeito da aliança, e o déficit da Alemanha com os compromissos de financiamento.

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O ataque ecoou uma série similar de ofensas de Trump antes da cúpula da Otan de 2018, e aumentará as dúvidas crescentes sobre o futuro do bloco, que Macron disse em sofrer de “morte cerebral” semanas antes da reunião londrina - concebida como uma comemoração de seu 70º aniversário.

"A Otan serve a um grande propósito", afirmou Trump a repórteres ao se encontrar com o chefe da Otan, Jens Stoltenberg, em Londres. Ele também afirmou que as declarações de Macron foram "muito insultantes" e "muito desagradáveis" para os outros aliados. 

"Ninguém precisa mais da Otan do que a França", afirmou o americano. “É uma declaração dura, quando você faz uma declaração dessas, isso é uma declaração muito, muito sórdida para essencialmente 28, incluindo-os, 28 países.”

Déficit de investimento

Sublinhando o tamanho da desavença no bloco transatlântico, considerado por seus apoiadores como a aliança militar mais bem-sucedida da história, Trump exigiu que a Europa pague mais pela defesa e que também faça concessões a interesses comerciais dos EUA.

Ligando explicitamente sua queixa de que a Europa não paga o suficiente pelas missões de segurança da Otan à sua defesa firme dos interesses comerciais dos EUA, parte de sua política “América Primeiro”, Trump disse que é hora de o continente “tomar jeito” nas duas frentes.

“Não é certo ser abusado na Otan e também ser abusado no comércio, e é isso o que acontece. Não podemos deixar isso acontecer”, disse ele a respeito das disputas transatlânticas, que vão do setor aeroespacial a um imposto de serviços digitais europeu sobre gigantes americanas de tecnologia.

Minimizando os sinais recentes de que a Alemanha está disposta a fazer mais para cumprir a meta da Otan de gastar 2% do produto interno bruto (PIB) com a defesa, Trump acusou Berlim e outras capitais que investem menos do que a meta de serem “delinquentes”.

O ataque de Trump veio poucas horas depois do surgimento de divisões entre outros membros da entidade - a Turquia prometeu se opor a um plano da Otan para defender países bálticos a menos que esta a apoie reconhecendo a milícia curda YPG como um grupo terrorista.

Os combatentes da YPG são aliados de longa data dos EUA na luta contra o Estado Islâmico na Síria. Ancara a considera uma inimiga devido aos seus laços com insurgentes curdos no sudeste turco.

A rainha Elizabeth receberá os líderes no Palácio de Buckingham, mas mesmo os anfitriões britânicos, que há gerações estão entre os defensores mais entusiasmados da Otan, estão desunidos a respeito de seu projeto de saída da UE e distraídos com a eleição legislativa que acontecerá no dia 12. / REUTERS e AFP

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