Doug Mills/The New York Times
Doug Mills/The New York Times

Trump ataca as 'mentiras' da imprensa americana contra seu genro

Presidente americano escreveu no Twitter que quando a mídia 'fake news' menciona fontes anônimas 'é muito possível que não existam fontes, mas que sejam inventadas pelos jornalistas'

O Estado de S.Paulo

29 Maio 2017 | 09h42

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, denunciou no domingo as "mentiras" da imprensa sobre os laços de seu genro, Jared Kushner, com a Rússia, que deixaram a Casa Branca em crise.

Trump retornou no sábado à noite de uma viagem de nove dias pelo Oriente Médio e pela Europa, em um momento em que a imprensa americana fazia novas revelações sobre os supostos contatos entre Kushner e Moscou, em dezembro.

Segundo estas revelações, Kushner quis estabelecer um canal secreto de comunicação com o Kremlin com o propósito de evitar as vias de comunicação tradicionais entre os dois países. "Minha opinião é que muitos vazamentos são mentiras fabricadas pela mídia, 'fake news' (notícias falsas)", tuitou Trump no domingo.

"(Cada vez que a mídia menciona fontes anônimas), é muito possível que não existam fontes, mas que sejam inventadas pelos jornalistas, 'fake news'", acrescentou o líder republicano. Estes meios de comunicação "não querem que os Estados Unidos escutem a verdadeira história", escreveu, horas depois, na mesma rede social.

As revelações sobre o genro do presidente, um dos mais próximos assessores de Trump na Casa Branca, são as mais recentes de uma longa sucessão de vazamentos sobre os contatos entre o entorno do presidente e o governo russo durante a campanha eleitoral e nas semanas que se seguiram à sua vitória, em 8 de novembro.

Empresário transformado em assessor presidencial, Kushner, de 36 anos, é marido de Ivanka Trump, filha do presidente e ela mesma assessora na Casa Branca. Frequentemente fotografado de mãos dadas com Ivanka e com aparência de um homem compenetrado, Kushner nunca fala em público. Mas sua influência sobre Trump é enorme.

A enxurrada de revelações sobre os vínculos entre a equipe de Trump e a Rússia chega agora ao círculo mais íntimo do presidente americano.

As agências de Inteligência dos Estados Unidos estão convencidas de que a Rússia tentou influenciar nas eleições em detrimento da candidata democrata Hillary Clinton, sobretudo pirateando e-mails do diretor de campanha dela.

O FBI e duas comissões do Congresso investigam agora para determinar se pessoas próximas à Trump entraram em acordo com Moscou para fazê-lo.

Segundo o The New York Times e o The Washington Post, a Casa Branca pensa em criar uma célula de crise sobre o caso russo, como a criada por Bill Clinton para enfrentar a investigação sobre seu relacionamento com Monica Lewinsky.

Contatos aceitáveis. Alguns membros do governo saíram em defesa do presidente no domingo, avaliando que não era anormal estabelecer canais de comunicação não oficiais com outros países, incluindo a Rússia.

"Para mim, é normal e aceitável. Tudo o que se possa fazer para comunicar as pessoas, em particular organizações que não são particularmente amistosas conosco, é uma boa coisa", afirmou no domingo o general reformado John Kelly, secretário americano de Segurança Interna.

A advogada de Kushner, Jamie Gorelik, anunciou na quinta-feira que o assessor do presidente estava pronto "voluntariamente para compartilhar suas informações com o Congresso sobre estas reuniões, e fará o mesmo com qualquer outra investigação".

As investigações do FBI agora se voltam para o investigador independente Robert Mueller. As coisas podem se complicar ainda mais para o presidente americano com o aguardado testemunho no Congresso, na semana que vem, do ex-diretor do FBI, James Comey, demitido por Trump. 

Comey guardou anotações de suas reuniões com o presidente, nas quais registrou, segundo a imprensa, uma conversa na qual Trump lhe pedia que detivesse a investigação sobre o general Michael Flynn. No entanto, não se confirmou ainda a data em que dará seu testemunho.

Muito próximo de Trump, Flynn foi seu efêmero assessor em assuntos de segurança nacional. Suspeito de ter vínculos secretos com a Rússia, ele foi obrigado a se demitir em 13 de fevereiro. / AFP

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