TIMOTHY A. CLARY / AFP
TIMOTHY A. CLARY / AFP

Trump ataca oposição mas diz que pode 'mudar de ideia' sobre juiz

O presidente dos Estados Unidos Donald Trump convocou jornalistas nesta quarta-feira para fazer uma defesa do próprio governo, responder a escândalos nacionais e atacar opositores

Beatriz Bulla, ENVIADA ESPECIAL / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2018 | 23h33

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convocou jornalistas nesta quarta-feira, 26, para fazer uma defesa do próprio governo, responder a escândalos nacionais e atacar opositores – seja os democratas, no próprio país, sejam outras nações, como a China. Na entrevista coletiva, Trump disse acreditar que acusações contra o seu indicado para a Suprema Corte, Brett Kavanaugh, são falsas mas admitiu que pode ser convencido do contrário.

A acusação de assédio sexual contra Kavanaugh ganhou força ontem após uma terceira mulher levantar relatos contra o juiz. Trump se colocou no lugar do seu indicado e disse que ele éalvo de acusações falsas - o que tem despertado uma grande reação de movimentos femininos nas redes sociais. Nesta quarta-feira, ele seguiu indicando que as mulheres que acusam Kavanaugh podem estar mentindo, mas admitiu que poderia ser “persuadido” após ouvir as alegações que serão apresentadas amanhã pela primeira acusadora de Kavanaugh, Christine Ford, que irá depor ao Senado americano.

A Casa Branca chamou a coletiva de imprensa em Nova York sob o mote da Assembleia Geral das Nações Unidas, que acontece nesta semana na cidade. Ao chegar, no entanto, Trump dedicou apenas 4 minutos a comentários sobre sua participação na ONU e conversas com outros países. Depois disso, o presidente passou mais de uma hora respondendo a uma sequência de perguntas sobre o escândalo envolvendo seu indicado para  Suprema Corte.

Ele acusa os democratas de obstruir a votação da indicação do juiz. “Estão destruindo a reputação de um homem e as pessoas verão isso nas eleições de meio de mandato. O que eles estão fazendo para a família dele e seus filhos”, disse Trump. O presidente afirmou que Kavanaugh é uma das pessoas mais qualificadas que já conheceu e disse se colocar no lugar do juiz. “Eu tive muitas acusações falsas contra mim. As pessoas querem fama, querem dinheiro”, afirmou Trump, sobre o que teria motivado, em sua avaliação, mulheres a fazerem acusações contra o republicano. “Aconteceu comigo várias vezes”, disse.

O presidente admitiu que irá assistir ao discurso da acusadora de Kavanaugh, no entanto. “Os republicanos darão a elas a chance de falar. E é possível que eu escute e fale ‘olhe, estou mudando de ideia’. Eu posso ser persuadido também”, afirmou o presidente. A afirmação é um tom mais baixo do que a crítica que ele fez na semana passada, ao sugerir que a primeira acusadora de Kavanaugh deveria trazer relatórios oficiais sobre denúncias feitas à época do fato. O comentário despertou reações contrárias a Trump. Nesta quarta, o presidente disse entender que mulheres não levem acusação às autoridades. “Não estou dizendo que elas deveriam ter reportado, porque é uma questão pessoal”, disse.

Em mais de uma hora de conversa com jornalistas, Trump voltou a chamar de “fake news” meios de comunicação americanos que adotam postura crítica ao seu governo, como o jornal The New York Times, e sugeriu que metade das cadeiras lotadas de jornalistas era formada por “fakes”.

Além de criticar a imprensa, ele criticou o seu antecessor, Barack Obama, e disse que se não fosse por sua eleição em 2016 o mundo viveria uma guerra com a Coreia do Norte nesse momento. “Se eu não tivesse sido eleito, vocês viveriam uma guerra”, afirmou, ao dizer que planeja um segundo encontro com o líder norte-coreano Kim Jong Un.

Ele voltou a atacar a China e dizer que o país tenta interferir nas eleições americanas de novembro, que pode mudar a composição do Congresso. Segundo Trump, como ele tem sido duro ao impor sanções econômicas aos chineses, Pequim trabalha para evitar que os republicanos mantenham a liderança das duas casas do Congresso. “Eles nunca foram desafiados assim”, disse Trump sobre os chineses.

Trump não deu elementos concretos, no entanto, sobre a acusação e disse que o caso era totalmente diferente da acusação de que os russos teriam interferido nas eleições de 2016 para ajudá-lo a se eleger.

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