Drew Angerer / Getty Images / AFP
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Trump intimida ex-embaixadora na Ucrânia durante depoimento dela sobre impeachment

Presidente americano escreveu no Twitter que ‘todos os lugares para onde Marie Yovanovitch foi ficaram ruins’; declaração foi lida no meio do depoimento, levando democratas a acusarem Trump de intimidação de testemunha

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2019 | 15h00
Atualizado 16 de novembro de 2019 | 21h50

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atacou uma ex-embaixadora dos Estados Unidos na Ucrânia nesta sexta-feira, 15, enquanto ela depunha no inquérito de impeachment da Câmara dos Deputados, ao afirmar que todos os locais onde ela esteve em sua carreira “ficaram ruins”, uma acusação que ela disse ser “muito intimidante”.

Marie Yovanovitch, diplomata de carreira que o governo Trump retirou da Ucrânia neste ano, defendeu seu histórico anticorrupção no país europeu durante a audiência e disse que sua saída deixou as diretrizes para o país em estado de caos.

Enquanto a ex-embaixadora depunha, Trump tuitou uma série de ataques contra ela. “Todos os lugares para onde Marie Yovanovitch foi ficaram ruins. Ela começou na Somália, no que isso deu? Atualiza para a Ucrânia, onde o novo presidente ucraniano falou desfavoravelmente dela no meu segundo telefonema com ele.”

Em um momento dramático, o presidente democrata da Comissão de Inteligência da Câmara, Adam Schiff, perguntou a Yovanovitch sobre sua reação ao tuíte. “Não posso falar sobre o que o presidente está tentando fazer, mas acho que o efeito é intimidante”, respondeu ela.

Schiff então acrescentou: “alguns de nós aqui levamos a questão de intimidação de testemunha muito, muito seriamente”. 

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O episódio causou uma nova reação contra Trump por parte dos democratas, que alegam que os comentários do presidente foram claras tentativas de intimidar uma testemunha crucial, podendo causar o mesmo impacto em outros que ainda possam se pronunciar. 

Nesta sexta, na Casa Branca, Trump reagiu à acusação. “(O inquérito do impeachment) é considerado uma piada em Washington e no mundo inteiro”. 

Os comentários de Trump na internet foram feitos no mesmo momento em que Yovanovitch relatava o quanto se sentiu intimidada durante o período que estava no cargo. Ela afirma que Rudy Giuliani, advogado pessoal de Trump e também investigado no inquérito do impeachment, trabalhava em conjunto com um procurador ucraniano corrupto para afastá-la do cargo, em um momento em que ele tentava persuadir a Ucrânia a realizar duas investigações que beneficiariam politicamente o presidente republicano.

Posteriormente, Yovanovitch afirmou que ficou “chocada, assustada e devastada” em relação aos comentários de Trump feitos ao presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, no telefonema de julho – objeto da denúncia anônima que levou à abertura do inquérito do impeachment pela Câmara.

Mesmo tendo sido afastada antes, em maio, Trump disse que a ex-embaixadora “passaria por algumas coisas”. Yovanovitch virou um ícone para outros diplomatas pelo seu trabalho para acabar com a corrupção na Ucrânia.

A sessão da Comissão de Inteligência da Câmara faz parte do inquérito de impeachment liderado pelos democratas, que ameaça o mandato de Trump enquanto ele pleiteia a reeleição em novembro de 2020.

Ex-assessor do presidente é condenado

Um júri condenou na sexta-feira Roger Stone, ex-assessor do presidente Donald Trump, por considerar o antigo agente republicano culpado de sete acusações criminais por mentir ao Congresso, cometer obstrução e interferir com testemunhas.

O veredicto de um julgamento motivado por investigações sobre a interferência da Rússia na eleição americana de 2016 é não somente um golpe para Stone, mas reinicia a devassa das atividades do então candidato Trump no momento em que ele enfrenta um inquérito de impeachment.

O republicano de 67 anos – que se descreve como um “manipulador sujo” e um “agente provocador” – foi acusado no início do ano de obstrução à Justiça, interferência com testemunhas e mentir à Comissão de Inteligência da Câmara dos Deputados durante sua investigação a respeito da interferência russa.

O julgamento de Stone tratou tanto do mundo da política quando de minúcias legais, como a questão de Stone realmente ter mentido ou não sobre o WikiLeaks, já que o site nunca foi mencionado explicitamente nos parâmetros públicos do inquérito. / REUTERS, AFP e NYT

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