REUTERS/Kevin Lamarque
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Trump atribui derrota à ala radical do Partido Republicano

Presidente ataca ultraconservadores que consideraram brando seu projeto para substituir o Obamacare

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2017 | 20h56

Donald Trump atacou neste domingo a ala mais conservadora de seu partido e a acusou de ser responsável pela derrocada da proposta que revogava e substituía o Obamacare por um outro modelo de assistência médica. Com o fracasso, o presidente dos EUA e os republicanos deixaram de cumprir uma das principais promessas de campanha. 

Deputados da legenda que integram o Freedom Caucus (Bancada da Liberdade) resistiram à pressão da Casa Branca para votar em favor do projeto apresentado pelo presidente da Câmara dos Deputados, o republicano Paul Ryan. Sem apoio suficiente, a liderança do partido retirou a proposta da pauta de votação na sexta-feira.

Em sua conta pessoal no Twitter, Trump disse que os democratas estavam “sorrindo” com o fato de o Freedom Caucus ter “salvo” o Obamacare e o Planned Parenthood, instituição que presta serviços médicos às mulheres, entre os quais procedimentos de aborto. Os republicanos incluíram o fim do financiamento federal ao Planned Parenthood em sua fracassada proposta sobre o sistema de saúde.

Como Trump, o Freedom Caucus é antiestablishment e anti-Washington e esteve no centro de conflitos internos do Partido Republicano desde antes de sua criação, em 2015. Dois anos antes, parlamentares que viriam a integrar o grupo se recusaram a ampliar o teto de gastos do governo federal, o que levou à suspensão das atividades da administração Barack Obama por 15 dias.

Na época, eles condicionaram a autorização de despesas ao corte de financiamento do Obamacare. A exigência não foi aceita e a ampliação de receita acabou sendo aprovada, em um processo que a liderança republicana considerou desgastante para a legenda.

Em conflito com o então presidente da Câmara dos Deputados, o republicano John Boehner, o Freedom Caucus acabou forçando sua renúncia do cargo em setembro de 2015. Ryan esperava ter um melhor relacionamento com a ala ultraconservadora de seu partido, mas fracassou no primeiro grande teste legislativo do governo Trump. 

O Freedom Caucus tem uma posição radical contra qualquer forma de intervenção do Estado na economia e na vida dos cidadãos e é a favor da redução de impostos e de regulações governamentais. Seus pouco mais de 30 integrantes têm o poder de barrar qualquer iniciativa da bancada republicana, que controla 247 das 434 cadeiras da Câmara.

Na negociação com a Casa Branca, o grupo conseguiu eliminar a exigência de cobertura obrigatória para procedimentos pré-natal, tratamento de doenças mentais e compra de medicamentos. Ainda assim, se opôs à proposta republicana por acreditar que ela não ia longe o bastante no desmonte de benefícios do Obamacare. 

 

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