Miguel Leal/Divulgação
Miguel Leal/Divulgação

'Trump' brasileiro apoia Biden, acredita na ciência e quer ser vereador em Macapá

Miguel Simões Leal (DEM), de 49 anos, é um dos brasileiros que tenta a sorte nas eleições municipais usando o nome do presidente dos Estados Unidos

Fernanda Boldrin, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2020 | 17h25

Defensor da ciência e crítico ao presidente Jair Bolsonaro, Trump se lançará nas urnas em novembro pelo partido Democratas. E, se tudo der certo para ele, em vez de ganhar o direito de ocupar a Casa Branca, o político passará a ter uma cadeira na Câmara Municipal de Macapá, no norte do Brasil. 

Miguel Simões Leal (DEM), de 49 anos, é um dos brasileiros que tenta a sorte nas eleições municipais usando o nome do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O nome, inclusive, rendeu a ele a chance de aparecer na imprensa internacional, em reportagem publicada pelo jornal britânico The Guardian. 

Ao Estadão, Leal contou que passou a ser chamado assim em 2016, ano da eleição de Trump, por conta das semelhanças físicas que guarda com mandatário. “O cabelo, um pouco do tamanho, e o estilo do shape” são as características que, segundo o candidato a vereador, o aproximam do presidente dos Estados Unidos

Mas nem sempre foi assim. Em Salvador, onde nasceu, a referência pela qual Leal ficou conhecido era ainda mais rústica. “Lá, eu chamava Barney, dos Flintstones”, relata. “Depois, quando Trump se elegeu, me disseram que pareço com Trump, aí virou.”

Se o nome de Trump o ajuda a ficar conhecido, no plano político o candidato quer distância do presidente americano. “O que Trump fez não combina comigo”, diz ele, que critica a postura de seu “xará” na condução da pandemia do novo coronavírus e nas falas cotidianas. E, se pudesse de fato ir às urnas nos Estados Unidos, ele também não titubeia: “eu votaria no Biden, com certeza. É um cara mais democrático”. 

Além disso, embora faça uso do nome de Trump, a imitação do republicano, segundo ele, fica a cargo de outro político: “tudo o que o Trump de lá faz, o Bolsonaro quer fazer, é uma imitação barata.”

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Donald Trump é não é a única autoridade americana que parece render frutos na diversidade de postulantes brasileiros. O The Guardian também identificou, na cidade de Lages, em Santa Catarina, o concorrente Juliano Nixon (PSOL). Neste caso, porém, o nome não é apenas fantasia. “Minha mãe me contou que ele veio ao Brasil uma vez e que ela pensou que era um nome bonito”, disse o psolista ao veículo britânico. 

Já na Macapá de Miguel Simões Leal, a disputa “presidencial” ganhou corpo. Segundo o The Guardian, “quatro entre os rivais de Leal - Lincoln, Jeferson (sic), Teddy e Washington - têm nomes com um laço presidencial, sublinhando o curioso gosto do Brasil em homenagear os líderes dos EUA com seus filhos. Um quinto chamado Mandela foi forçado a se retirar.”

 

 

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