AP Photo/Evan Vucci
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Trump cancela participação na Cúpula das Américas para tratar de questão síria

Porta-voz da Casa Branca informa que o presidente americano ficará no país para 'supervisionar a resposta americana à Síria'; ele será substituído por seu vice, Mike Pence, na reunião de chefes de Estado e Governo que começa sexta-feira no Peru

O Estado de S.Paulo

10 Abril 2018 | 10h29

WASHINGTON - Depois de ameaçar atacar militarmente a Síria, o presidente americano, Donald Trump, cancelou nesta terça-feira, 10, seu plano de viajar para a América do Sul no fim desta semana, preferindo ficar nos Estados Unidos para gerenciar a resposta de seu país a um suposto ataque com armas químicas.

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A porta-voz da Casa Branca Sarah Huckabee Sanders disse nesta terça que Trump não participará da 8ª edição da Cúpula das Américas, no Peru, e não viajará para a Colômbia, como planejado, permanencendo nos EUA para "supervisionar a resposta americana à Síria e monitorar o desenrolar (dos fatos) ao redor do mundo".

Com a decisão de Trump, pela primeira vez um presidente dos EUA não participará deste encontro de chefes de Estado e governo. O vice-presidente americano, Mike Pence, o substituirá nos compromissos - a Cúpula das Américas começa na sexta-feira, 13. 

Na segunda-feira o republicano prometeu uma decisão sobre a questão síria até a quarta-feira e afirmou que a Rússia ou qualquer outra nação que fosse responsável pelo provável ataque químico realizado no sábado na cidade síria de Duma "pagaria o preço".

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A Casa Branca rejeitou as insinuações de que os comentários recentes de Trump sobre a retirada de soldados americanos da Síria teriam aberto espaço para o ataque no país, que deixou mais de 40 mortos, incluindo mulheres e crianças.

Questionado se o presidente russo, Vladimir Putin, tinha alguma responsabilidade sobre o ataque em Duma, Trump que "ele poderia ter". "E, se tiver, será muito difícil, muito difícil. Todo mundo pagará o preço. Ele pagará. Todos pagarão", disse o presidente americano.

Além do ríspido comentário de Trump sobre o assunto, os militares americanos parecem estar se posicionando para executar uma ordem de ataque. Um destroier da Marinha americana, o USS Donald Cook, está em deslocamento no Mediterrâneo depois de uma parada no porto de Chipre.

O sistema de mísseis guiados da embarcação conta com mísseis de cruzeiro Tomahawk, a mesma arma escolhida pelos EUA há um ano em um ataque a uma base aérea na Síria depois de um suposto ataque com gás sarin contra civis na cidade de Khan Sheikhun.

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Os militares russos, principais aliados do presidente Bashar Assad no combate sírio, afirmaram ter visitado no fim de semana o local no subúrbio de Damasco onde teria ocorrido o ataque, mas não encontraram evidências do uso de armas químicas.

O embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, acusou Washington de elevar deliberadamente as tensões internacionais ao ameaçar seu país em um tom "além do limiar que seria aceitável, até mesmo para os padrões do período da Guerra Fria".

Trump afirmou haver pouca dúvida sobre a responsabilidade do governo sírio no ataque de sábado, apesar de o governo Assad negar a autoria. "Para mim, não há muita dúvida, mas os generais vão esclarecer o caso", disse o presidente americano. Ele prometeu uma decisão sobre o possível uso militar para esta terça ou, no mais tardar, para a quarta-feira.

Em sua condenação enfática ao suposto ataque com armas químicas, Trump destacou as imagens dos mortos e feridos no ataque, que qualificou de "hediondo", "atroz", "horrível" e "bárbaro".

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Ao responder questionamentos na Casa Branca, a secretária de imprensa de Trump, Sarah Sanders disse que seria "ultrajante" dizer que o recente anúncio de Trump de que pretende remover todas as forças dos EUA da Síria nos próximos meses teria encorajado Assad a atacar civis. "Eu acho que é ultrajante dizer que o presidente dos Estados Unidos deu sinal verde para algo tão atroz quanto as ações que têm ocorrido nos últimos dias."

No Pentágono, o secretário de Defesa dos EUA, Jim Mattis, também sugeriu que Moscou pode ter culpa pelo ataque em Duma. Ele criticou a Rússia por ter, supostamente, falhando em se certificar de Damasco eliminou, de fato, todo seu arsenal de armas químicas em cumprimento a um acordo assinado em 2013.

Trump deve se reunir ainda nesta terça-feira com seus principais assessores de segurança nacional e nenhuma possibilidade está descartada. "Se for a Rússia, se for a Síria, se for o Irã, se for todos eles juntos, vamos descobrir", disse o presidente na segunda-feira. / AP

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