Alastair Grant/AP
Alastair Grant/AP

Trump ofende prefeito de Londres e elogia defensores do Brexit radical

No primeiro dia de visita oficial ao Reino Unido, presidente americano chama prefeito londrino de ‘fracassado’

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2019 | 06h11
Atualizado 03 de junho de 2019 | 22h13

LONDRES - Conhecido por quebrar protocolos e opinar sobre a políticos de outros países, o presidente americano, Donald Trump, fez jus à própria fama durante sua visita oficial ao Reino Unido, iniciada nesta segunda-feira, 3. Depois de elogiar líderes nacionalistas do Brexit e pregar uma ruptura total dos britânicos com a Europa, ele chamou de “fracassado” o prefeito de Londres, Sadiq Khan, um muçulmano de origem paquistanesa e antigo desafeto. Trump deve visitar nesta terça-feira, 3,Theresa May, premiê demissionária com quem também já trocou farpas.

O contraste entre a pompa dos eventos e o baixo calão na troca de ofensas expôs os dois lados da visita: a maioria do público britânico rejeitou Trump e suas políticas com vários protestos nas ruas, mas a elite política reconhece a necessidade de reforçar a aliança especial com os EUA, enquanto o Reino Unido negocia a saída da UE. 

Membros da realeza britânica fizeram sua parte, recebendo Trump e Melania para almoço, chá da tarde e, à noite, um luxuoso banquete de Estado no Palácio de Buckingham. A família Trump colocou uma coroa de flores na Abadia de Westminster, onde rainhas e reis da Inglaterra são coroados, se casam e são sepultados.

O presidente usou um helicóptero para percorrer o trajeto de 5 quilômetros entre o Palácio de Buckingham e o local do banquete. Em maio de 2011, o presidente Barack Obama fez o mesmo trajeto de carro, passando pela multidão que o saudava. Assim como na primeira visita de Trump ao país, não oficial, em julho passado, manifestantes planejam levar hoje às ruas o boneco inflável de quatro metros de altura apelidado de “Bebê Trump”. 

Polêmicas

Do avião presidencial, ele tuitou acusações contra o prefeito de Londres, com quem troca farpas desde 2016 em temas como imigração e terrorismo. Hoje, ele o acusou de ser “estúpido” e “incompetente”, errando a grafia de seu nome. “Kahn (o correto é Khan) me lembra muito de nosso estúpido e incompetente prefeito de Nova York, Bill de Blasio, que também fez um trabalho terrível – mas com apenas metade de sua altura”, tuitou Trump.

 


No domingo, Khan postou em sua conta no Twitter um vídeo no qual criticou Trump por expandir seus ataques às questões de gênero e por usar a linguagem de “fascistas do século 20”. “É um fracassado total que deveria se concentrar no crime em Londres, não em mim”, afirmou Trump. Um insulto “infantil” e “impróprio do presidente dos EUA”, rebateu um porta-voz de Khan. 

A visita de Trump ocorre em meio ao mal-estar no país, cuja premiê deve deixar oficialmente o cargo na sexta-feira, derrotada por sua incapacidade de levar adiante um Brexit decidido no plebiscito de 2016, mas adiado duas vezes. O próximo líder conservador terá até 31 de outubro para concluir a saída da UE.

Em entrevistas à imprensa britânica antes de sua chegada, Trump criticou o modo pelo qual May conduziu as negociações com Bruxelas, recomendou ao próximo premiê que abandone a UE bruscamente, sem um acordo, e apontou o ex-ministro das Relações Exteriores Boris Johnson como seu favorito para dirigir o país.

O presidente também elogiou o extremista Nigel Farage, líder do Partido do Brexit, grande vencedor na semana passada das eleições europeias no Reino Unido. No avião que o levava para Londres, ele afirmou que “poderia se reunir” com ambos os políticos, com os quais disse ter “relações muito boas”.

“É uma ingerência inaceitável na nossa democracia”, criticou o líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn, que recusou o convite para participar do banquete e prometeu participar dos protestos de hoje contra Trump. 

No domingo, Trump negou ter dito ao The Sun que Meghan Markle, sua conterrânea e mulher do príncipe Harry, era “desagradável”. Ele disse que se referia apenas às críticas dela a ele em 2016. / NYT, REUTERS e AP 

 

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