AFP PHOTO / POOL / Christophe LICOPPE
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Trump chega a Paris sob divergência com Macron

Presidente dos EUA será recebido com protestos populares na capital francesa, onde participa de festa nacional

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

13 Julho 2017 | 05h00

PARIS - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chega na manhã de hoje a Paris para sua primeira visita oficial à França sob divergências essenciais com o anfitrião, o presidente Emmanuel Macron. O republicano foi convidado para as cerimônias de 14 de Julho, dia de festa nacional, e acompanhará o desfile das Forças Armadas na Avenida Champs-Elysées amanhã.

Além do desacordo sobre o acordo climático, a questão militar é um dos pontos de choque entre a Casa Branca e a Europa, em especial no que diz respeito ao financiamento da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). 

Trump chega a Paris em um momento de forte pressão na política doméstica e sob isolamento internacional crescente, mas será acolhido por Macron, de quem divergiu nas reuniões da Otan, G-7 e G-20, com todas as honras de um chefe de Estado. Oficialmente, o convite feito ao presidente americano entra no conjunto das homenagens pelos 100 anos do engajamento dos Estados Unidos ao lado da França na 1.ª Guerra. Centenas de soldados americanos desfilarão amanhã pelas ruas de Paris.

Por trás da cerimônia, a visita é considerada em Paris uma oportunidade de Macron se aproximar de um dirigente cada vez mais isolado em relação à Europa. A intenção de retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris isolou Trump. Agora, Macron tenta encontrar uma via de diálogo. 

Essa condição de interlocutor privilegiado será reforçada pelo fato de que Trump ainda não visitou outras duas referências políticas da Europa, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May.

No briefing do encontro bilateral, assessores de Macron reforçaram o objetivo de evitar que Trump caia no isolamento internacional. “A visita se inscreve em uma intensa sequência memorial mostrando a excelente cooperação e a operacionalidade perfeita de nossos dois países”, justificam os assessores. 

A eventual aproximação entre os presidentes, entretanto, não vai mascarar as diferenças políticas que permanecem entre EUA e França. Enquanto Paris defende com unhas e dentes o acordo climático, Washington não dá mostras de estar pronto a rever a decisão. 

Além disso, em resposta às críticas do governo americano, a França e outros países da Europa se comprometeram a investir 2% do PIB na área de Defesa - mas não necessariamente para reforçar a Otan, e sim para relançar a ideia de uma defesa europeia comum, menos dependente da aliança atlântica.

Essas questões serão debatidas entre Macron e Trump em uma cidade sob altíssima vigilância, mas em clima de cordialidade. O presidente americano chegará a Paris na manhã de hoje. À tarde, será homenageado no Hotel dos Inválidos, no centro da capital francesa, onde também visitará o túmulo de Napoleão Bonaparte. A seguir, os dois líderes terão sua primeira reunião bilateral no Palácio do Eliseu. 

 

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