AFP PHOTO / POOL / NYEIN CHAN NAING
AFP PHOTO / POOL / NYEIN CHAN NAING

Globalização opõe Xi e Trump em cúpula no Vietnã

Líder americano diz que colocará os interesses dos EUA em primeiro lugar e presidente chinês pede mais abertura, inclusão e benefícios para todos

O Estado de S.Paulo

10 Novembro 2017 | 08h31
Atualizado 10 Novembro 2017 | 21h40

DANANG, VIETNÃ - O presidente americano, Donald Trump, defendeu nesta sexta-feira, 10, conceito de política econômica “America First” (América Primeiro) diante de uma plateia de líderes de nações asiáticas que havia pouco tempo fixavam suas esperanças em um pacto regional liderado pelos EUA. Em claro contraste, o presidente chinês, Xi Jinping, que subiu ao palco do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) logo após Trump, usou seu discurso para fazer uma defesa da globalização.

O republicano também fez duras críticas à Coreia do Norte, destacando que a Ásia não pode viver sob a ameaça de Pyongyang e das "fantasias retorcidas de um ditador".

+ Trump dribla 'Grande Firewall' da China para tuitar sobre viagem a Pequim

O descompasso destoou da reunião bilateral, no dia anterior, em Pequim, marcado por acordos de US$ 250 bilhões e um esforço de aproximação do líder americano com o chinês. 

Hoje, o republicano prometeu que defenderia os interesses dos americanos em relação à exploração estrangeira e não deixaria mais que “se tirasse vantagem” dos EUA. “Sempre vou colocar os EUA em primeiro lugar, da mesma maneira que espero que todos vocês aqui nesta sala coloquem seus países em primeiro lugar”, disse Trump, no fórum realizado em Danang, Vietnã. 

+ Em busca de apoio chinês contra Kim, Trump recua em exigências comerciais

Trump prometeu buscar um “comércio de benefício mútuo”, por meio de acordos bilaterais, e condenou duramente os pactos multilaterais estabelecidos por seu predecessor, Barack Obama. Ele culpou, como no dia anterior, governos americanos anteriores pelo déficit comercial dos EUA que custaram ao país, segundo ele, empregos e indústrias inteiras americanas. 

De acordo com o New York Times, foi uma surpreendente mensagem hostil para um público que incluía líderes que associaram suas fortunas à Parceria Trans-Pacífico (TPP), um pacto entre 12 nações lideradas pelos EUA – que saíram do grupo após Trump assumir a Casa Branca. 

Xi, por sua vez, seguiu pelo caminho oposto e defendeu a globalização, dizendo que ela deveria ser “mais aberta, mais inclusiva, mais balanceada, mais igualitária e beneficiar a todos”. Em seu discurso, o líder chinês defendeu que é preciso perseguir esse tipo de iniciativa global, como o Acordo de Paris, sobre o clima, do qual os EUA de Trump também se retiraram. Segundo Xi, a globalização é uma “tendência histórica irreversível”. A China, segundo ele, continuará a buscar um estratégia de livre-comércio na Ásia-Pacífico. 

Trump afirmou ainda que a Ásia não pode viver sob a ameaça da Coreia do Norte e das "fantasias distorcidas de um ditador", em referência ao líder Kim Jong-un. "O futuro desta região e de sua gente maravilhosa não pode ser refém das fantasias distorcidas de conquista violenta e chantagem nuclear de um ditador", disse.

O presidente americano pediu aos países da região que "estejam unidos para declarar que cada passo do regime da Coreia do Norte a mais armas é um passo que leva a mais e mais perigo". Na quinta-feira, Trump já havia pedido à China que atuasse rápido contra Pyongyang.

Trump elogiou Xi e o qualificou como "um representante poderoso e muito respeitado por seu povo", no fim de sua visita a Pequim. "Minhas reuniões com o presidente Xi Jinping foram muito produtivas em relação ao comércio e ao tema da Coreia do Norte", disse o líder americano no Twitter antes de partir para o Vietnã.

O presidente chinês "é um representante poderoso e muito respeitado por seu povo", declarou Trump. Xi obteve recentemente um novo mandato de cinco anos como líder do Partido Comunista da China (PCCh).

Rússia. Após dias de especulações sobre o encontro entre Trump e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, os dois deram hoje um rápido aperto de mão durante o jantar de gala da Apec. Não estava claro se os dirigentes mantiveram uma conversa mais substancial, depois de dias de comunicados contraditórios do Kremlin e da Casa Branca. Antes da viagem, Trump indicou que esperava conversar com o russo para pressionar Moscou a apoiá-lo em relação à crise com a Coreia do Norte. / THE NEW YORK TIMES, AFP e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.