Vanessa Gera / AP
Vanessa Gera / AP

Trump concede perdão presidencial a ex-militar condenado por assassinar prisioneiro iraquiano

Michael Behenna, veterano das forças especiais do Exército americano, foi considerado culpado em 2009 pelo assassinato de Ali Mansour, suposto jihadista a quem despiu e interrogou de maneira ilegal, antes de disparar dois tiros contra ele

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2019 | 06h18

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indultou na segunda-feira, 6, Michael Behenna, um veterano das forças especiais do Exército americano condenado por assassinar um suposto terrorista da Al-Qaeda em 2008 no Iraque.

"O caso do senhor Behenna teve um amplo apoio dos militares, dos funcionários de Oklahoma e do público (...). Além disso, enquanto cumpria sua sentença, foi um prisioneiro modelo. À luz destes fatos, Behenna merece totalmente o perdão presidencial", disse a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders.

Behenna, de 35 anos, foi condenado pelo assassinato do iraquiano Ali Mansour, um suposto jihadista a quem despiu e interrogou de maneira ilegal, antes de disparar dois tiros contra ele, um no peito e outro na cabeça.

Mansour tinha sido aprisionado por sua suposta participação em um ataque com explosivos contra uma patrulha americana da qual Behenna fazia parte e no qual morreram dois militares, o sargento Adam Kohlhaas, de 26 anos, e o sargento Steven Christofferson, de 20 anos.

Um relatório de inteligência apontou que Mansour pode ter sido o cérebro da operação, razão pela qual foi detido em sua casa, onde foram encontrados uma metralhadora e um passaporte falso no qual havia registro de viagens constantes à Síria e à Arábia Saudita.

Mansour foi interrogado, mas o alto comando ordenou sua libertação por considerar que não havia provas conclusivas da sua participação na emboscada. Quando Mansour estava sendo levado de volta para sua casa, Behenna decidiu parar o veículo e matou o iraquiano.

"Tirei sua roupa para intimidá-lo e lhe disse que queria mais informação sobre os líderes locais da Al-Qaeda e sobre suas viagens à Arábia Saudita e à Síria, e sobre a explosão. Mas ele apenas repetia 'não sei, não sei'", afirmou Behenna durante seu julgamento.

Em 2009, uma corte marcial condenou Behenna a 25 anos de prisão após considerá-lo culpado das acusações de assassinato não premeditado e de violar o código militar. Depois de várias apelações, teve sua pena reduzida a 15 anos de prisão e em 2014 foi posto em liberdade após pagar fiança.

Apesar de inicialmente Behenna não estar apto a obter um perdão presidencial até que cumpra o restante da sua condenação, em 2024, o advogado do ex-soldado, John Richter, confirmou há alguns meses que o solicitaram em razão do clima favorável aos militares que existe atualmente na Casa Branca.

"Sabemos que temos um presidente que é muito compreensivo com a situação que enfrentaram os soldados, marinheiros e fuzileiros navais nas guerras do Iraque e do Afeganistão", explicou na ocasião Richter ao jornal The Washington Post. / EFE

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