REUTERS/Kai Pfaffenbach
REUTERS/Kai Pfaffenbach

Trump condena ‘ação desestabilizadora’ da Rússia antes de reunião com Putin

Encontro na Alemanha, paralelamente à cúpula do G-20, será acompanhado com atenção em meio a divergências e um tenso relacionamento em razão do apoio a Irã e Síria e anexação da Crimeia

O Estado de S.Paulo

07 Julho 2017 | 05h00

VARSÓVIA - O presidente dos EUA, Donald Trump, usou nesta quinta-feira seu discurso em Varsóvia para pedir à Rússia que pare com suas “atividades desestabilizadoras” e seu apoio a “regimes hostis”, como Irã e Síria. A declaração foi feita na véspera de um encontro com o presidente russo, Vladimir Putin, paralelamente à reunião de cúpula do G-20, na cidade alemã de Hamburgo.

O americano descreveu ontem a Polônia como uma aliada exemplar na construção de defesas em contraposição ao “comportamento desestabilizador” da Rússia – alvo de sanções em razão da anexação da região ucraniana da Crimeia, em 2014. 

O encontro dos dois líderes será acompanhado com atenção, já que as relações entre os países continuam tensas em razão das alegações de que os russos interferiram nas eleições presidenciais dos EUA do ano passado em favor de Trump e do apoio de Moscou ao regime de Bashar Assad, na Síria.

Os dois líderes também devem discutir sobre a Coreia do Norte, após a Rússia bloquear nesta quinta-feira uma declaração do Conselho de Segurança da ONU que pedia a adoção de “medidas significativas e de maior alcance” contra o regime de Pyongyang como resposta ao lançamento de um míssil balístico intercontinental.

A Rússia argumentou que ainda não havia sido comprovado que o lançamento era mesmo de um míssil intercontinental. “Conclamo todas as nações a enfrentarem essa ameaça global e demonstrar à Coreia do Norte que haverá consequências para seu mal comportamento”, disse Trump em Varsóvia. 

Antes do encontro, Putin expressou todo seu apoio ao Pacto de Paris, do qual o governo Trump anunciou sua saída no início de junho. “Vemos o Acordo de Paris como uma base segura para a regulamentação climática de longo prazo fundada na lei internacional, e queremos fazer uma contribuição abrangente à sua implementação”, disse ele ao diário comercial alemão Handelsblatt.

O Kremlin espera ao menos, durante o tão esperado encontro, dar alguma claridade à relação marcada por contradições e recriminações. Independentemente do que ocorrer, o Kremlin acredita que Putin lidará com o evento de forma a sair como o mais forte. Para analistas, se nada de importante ocorrer durante o encontro, o governo russo pode repetir a linha padrão da Rússia de que Trump é um fraco, afetado por suas políticas domésticas. 

Mas, se Trump concordar em trabalhar com Putin, apesar da série de transgressões russas, ele também parecerá fraco, enquanto Putin poderá se gabar de que conseguiu reconstruir a relação. “Esta é uma situação de ‘ganha ou ganha’ para Putin”, disse Andrei Kolesnikov, analista do Carnegie Center, em Moscou.

“Putin explorará essa vantagem”, acredita Vladimir Frolov, um destacado colunista que escreve sobre política externa. Putin tornou sua missão coibir o que ele considera impulsos perigosos de todos os presidentes americanos, incluindo Trump, de interferir globalmente sem consultar outras potências.

Em discurso à população polonesa, na Praça Krasinski , que celebra o Levante de Varsóvia contra o nazismo, Trump disse que, nesta era de terrorismo, “a questão fundamental de nosso tempo é que o Ocidente tem desejo de sobreviver. “Temos confiança em nossos valores para defendê-los a qualquer custo? Temos o desejo e a coragem de preservar nossa civilização daqueles que a querem subverter e destruir?”, questionou.

Em uma entrevista coletiva com o presidente polonês, Andrzej Duda, Trump declarou que já “passou do tempo” para que todos os membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) “andem” com suas obrigações financeiras.

A Casa Branca havia antecipado que Trump usaria a escala em Varsóvia para demonstrar seu compromisso com a aliança atlântica, que ele já chamou de “obsoleta”, reclamando dos repetidos fracassos dos aliados para pagar os recomendados 2% de seus PIBs com defesa.

Trump disse que EUA e Polônia compartilham valores semelhantes: “Debatemos nossos compromissos mútuos para salvaguardar os valores no cerne de nossa aliança: liberdade, soberania e estado de direito”. A Polônia e aliados do Leste Europeu expressaram profunda preocupação com a anexação russa da península ucraniana da Crimeia e também com a atividade militar da Rússia perto de suas fronteiras. Moscou argumenta estar reagindo à intensificação da presença ocidental.

No fim da tarde, a chanceler alemã, Angela Merkel, recebeu Trump por cerca de uma hora em Hamburgo e tentou aproximar algumas posições com as do americano antes do início da cúpula, complicadas pelo distanciamento de Washington de acordos clássicos como a defesa do livre-comércio e a luta global contra a mudança climática.

Repressão. Milhares de manifestantes anti-G20 entraram em confronto nesta quinta-feira com a polícia, que usou gás lacrimogêneo e canhões d’água para dispersar a multidão em Hamburgo. Ao menos 76 policiais ficaram feridos.

Segundo a polícia, cerca de 12 mil pessoas – entre elas militantes extremistas, encapuzados e vestidos de preto – tentavam se aproximar do local onde ocorrerá a cúpula do G-20 entre hoje e amanhã.

O objetivo da marcha, chamada de “Welcome to Hell” (Bem-vindos ao Inferno), era rodear o Palácio dos Congressos, onde estão as delegações da reunião. Cerca de 20 mil policiais de várias partes da Alemanha foram deslocados para Hamburgo como medida antiterrorismo e para evitar a violência nas cerca de 30 manifestações previstas. / NYT, REUTERS, AP e AFP

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.