EFE/Facundo Arrizabalaga
EFE/Facundo Arrizabalaga

May critica especulações de Trump sobre atentado em Londres

Primeira-ministra britânica diz que inferências sobre investigação em andamento não ajudam na apuração dos fatos; mais cedo, nas redes sociais, republicano sugeriu que terroristas 'estavam na mira da Scotland Yard'

O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2017 | 08h20
Atualizado 15 Setembro 2017 | 12h16

LONDRES - A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, reprovou nesta sexta-feira, 15, o que chamou de especulações do presidente americano, Donald Trump, sobre a autoria do atentado no metrô de Londres, que deixou dezenas de feridos. Pouco depois da ação, o republicano publicou mensagem em sua conta no Twitter dizendo que os autores 'estavam na mira da Scotland Yard'

"Não acredito que especular sobre uma investigação em andamento seja algo que vá ajudar", disse May em entrevista exibida pela imprensa britânica momentos antes de uma reunião de seu comitê de emergência.

"A polícia e os serviços de segurança estão fazendo todo o necessário para esclarecer as circunstâncias deste covarde atentado", completou May. A premiê também afirmou que o dispositivo explosivo foi fabricado de forma a causar grandes danos.

"Claramente se tratava de um artefato que foi criado com a intenção de causar danos significativos", disse May, na frente de seu gabinete, revelando que as autoridades elevaram o grau de ameaça terrorista no país, atualmente no segundo mais alto possível.

O caso

Pouco depois da explosão Trump afirmou em sua conta no Twitter que os "terroristas fracassados" por trás do atentado desta sexta-feira estavam na "mira da Scotland Yard".

"Outro ataque em Londres por um terrorista fracassado", tuitou o presidente americano. "São pessoas doentes e dementes que estavam na mira da Scotland Yard. Temos que ser proativos!", completou.

Em seguida, ele fez uma advertência sem apresentar detalhes: "Os terroristas fracassados devem ser tratados de uma maneira mais forte. A internet é sua principal ferramenta de recrutamento, que devemos cortar e usar melhor".

Não foi anunciado até o momento se os culpados pelo ataque realmente estavam no radar da polícia britânica. Mas se for verdade, Trump teria então revelado a informação antes da divulgação pelas autoridades britânicas.

"Correto ou não, e tenho certeza que ele não sabe, isto é de muito pouca ajuda por parte do líder de nosso aliado e sócio de inteligência", escreveu no Twitter Nick Timothy, ex-chefe de gabinete da primeira-ministra britânica, Theresa May.

Em maio, as autoridades britânicas ficaram irritadas depois que funcionários do governo americano vazaram à imprensa material compartilhado sobre uma investigação pelo atentado com bomba no show da cantora Ariana Grande, que deixou 22 mortos em Manchester.

Trump também aproveitou o ataque a Londres nesta sexta-feira para defender sua polêmica proibição de viagem a pessoas procedentes de vários países de maioria muçulmana, que é objeto de uma batalha legal nos Estados Unidos, mas que entrou apenas parcialmente em vigor.

"A proibição de viagem aos Estados Unidos deve ser mais ampla, dura e específica, mas estupidamente isto não seria politicamente correto", escreveu em outro tuíte. / AFP

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