AP Photo/Michael Conroy
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Trump confirma governador de Indiana Mike Pence como vice

O político é conhecido por ser firme com imigrantes ilegais e propôs, em 2006, um plano para fechar a fronteira com o México 

O Estado de S. Paulo

15 de julho de 2016 | 17h12

WASHINGTON/NOVA YORK  - Contrariando o comunicado de quinta-feira de que adiaria o anúncio de seu vice, Donald Trump confirmou nesta sexta-feira, 15, como estava previsto inicialmente, que o governador de Indiana, Mike Pence, comporá a chapa com ele na disputa pela Casa Branca. Trump havia informado pelo Twitter que não faria o comunicado hoje em razão do ataque em Nice, na França. 

O nome de Pence é visto como uma ajuda para unificar o partido em torno da candidatura do magnata. Ao mesmo tempo, ele deve reforçar a bandeira anti-imigração ilegal levantada por Trump. O político é conhecido por ser firme com imigrantes ilegais e propôs, em 2006, um plano para fechar a fronteira com o México. 

Por outro lado, Pence, de 57 anos, tem visões diferentes de Trump sobre o proposto banimento de muçulmanos nos EUA e comércio, além de ser mais socialmente conservador. "Fico feliz em anunciar que escolhi o governador Mike Pence como meu colega de corrida como vice-presidente", disse Trump em publicação no Twitter.

De acordo com a agência Reuters, Trump tinha um prazo de até meio-dia desta sexta-feira para anunciar Pence - ele precisava conhecer a escolha do republicano para decidir se tentaria ou não a reeleição em seu Estado. 

Organizações críticas à imigração, como a Federation for American Immigration Reforma (Fair), elogiaram com ressalvas a escolha de Pence como vice-presidente. O republicano foi congressista por Indiana entre 2001 e 2013, quando foi eleito governador do Estado.

"A escolha do governador Mike Pence como candidato à vice-presidência oferece tanto preocupações como razões para o otimismo", disse hoje em comunicado a Fair, um grupo com sede em Washington que tem como objetivo pôr fim à imigração ilegal.

Para a Fair, Pence é um candidato com "histórico misto" na questão da imigração. Mas para outros grupos, como o Center for Community Chance, a escolha do governador como companheiro de chapa de Trump é uma "convocação aos nacionalistas brancos americanos".

"Essa dupla vai destruir os direitos civis e as liberdades de uma grande porção da população americana", afirmou em comunicado Kica Matos, do Center for Community Change.

Próximo ao ultraconservador movimento do Tea Party, Pence é um dos governadores que se uniu ao Texas para processar as medidas executivas aprovadas em 2014 pelo presidente do país, Barack Obama, para frear a deportação de quase 5 milhões de imigrantes ilegais, sobretudo jovens e pais com filhos americanos.

Em junho, a Suprema Corte determinou o bloqueio do plano de imigração, e Pence expressou sua alegria por uma decisão que mostrava que um presidente não pode "mudar a lei unilateralmente".

Como governador de Indiana, Pence também defendeu fechar as portas aos refugiados sírios e se uniu ao processo coletivo de mais de 20 Estados, a maior parte governada por republicanos, para impedir que os EUA aceitassem mais imigrantes sírios após os atentados de novembro do ano passado em Paris.

Durante seu tempo como congressista na Câmara dos Deputados, Pence também tomou iniciativas polêmicas. Em 2004, votou a favor de um projeto que proibia o governo de reembolsar os hospitais que prestavam serviços de emergência ou transporte a imigrantes ilegais e, portanto, permitia negar o atendimento a essas pessoas.

Dois anos mais tarde, em 2006, respaldou um plano que buscava fechar a fronteira entre México e EUA, uma ideia de acordo com a proposta de Trump para construir um muro na fronteira.

O projeto defendido por Pence há dez anos também propunha enviar todos os imigrantes ilegais de volta aos seus países de origem e instaurar um programa de trabalho destinado a trazer operários aos EUA durante um período de até no máximo cinco anos.

Além disso, em 2007, Pence foi coautor de um projeto para transformar o inglês no idioma oficial dos EUA. Apesar de a língua ser a principal e mais falada no país, isso não consta na Constituição americana. Cada Estado tem o direito de adotar seu próprio idioma oficial, mesmo que ele não seja o inglês. 

Na terça-feira, o presidente da Câmara dos Deputados, Paul Ryan, pediu a Trump que escolha um vice-presidente “conservador”. Para Ryan, Trump é “novo” no Partido Republicano e tem uma história de ter oscilado entre os lados do espectro político americano.

O New York Times descreve Pence como um homem “de baixo perfil”, conhecido por sua fé cristã e de temperamento tranquilo, muito diferente dos instintos de “showman” de Trump.

Disciplinado, relativamente discreto, Pence é amigo de Ryan. Suas conexões poderiam ajudar ao magnata a baixar as tensões com o partido, que continuam um incômodo a Trump, e a conquistar mais doadores para sua campanha.

Trump e Pence, até então, não eram próximos. Com personalidade moldada na fé cristã, é um defensor da família tradicional, também se opõe ao aborto e ao casamento entre homossexuais. Como governador, firmou leis para tornar mais difícil o acesso ao aborto em Indiana.

Pence foi muito criticado por outra lei, a da “liberdade religiosa”, vista por seus opositores como uma forma de discriminar as comunidades homossexuais, bissexuais e transexuais. A legislação dava carta branca aos estabelecimentos comerciais de Indiana para proibir a entrada de casais do mesmo sexo em nome da “liberdade religiosa”. / REUTERS, EFE, AFP e AP

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