(Photo by HO / AFP)
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Em meio a tensão com Irã, Trump enviará 1,5 mil militares ao Oriente Médio

Trump afirma que as tropas terão principalmente papel de defesa na região; reforço foi solicitado em meio ao aumento de tensão com o Irã

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2019 | 14h27
Atualizado 24 de maio de 2019 | 21h18

WASHINGTON - O Pentágono despachará 1,5 mil soldados para o Oriente Médio, incluindo unidades de vigilância e operadores de mísseis de defesa, no mais recente passo da administração republicana para lidar com o que alega se tratar de um aumento das ameaças do Irã, sem oferecer evidências. Segundo o presidente Donald Trump, as tropas terão principalmente papel de defesa na região. 

O secretário de Defesa interino, Patrick Shanahan, diz ter aprovado o pedido do Comando Central dos EUA para enviar um batalhão responsável em operar mísseis Patriot, aviões de inteligência e vigilância, um esquadrão de aviões de combate e engenheiros que, segundo ele, aumentarão a força de proteção e guarda dos militares americanos na região.

“O reforço enviado para a área de responsabilidade do Comando Central dos EUA é uma medida defensiva prudente que tem o objetivo de reduzir a possibilidade de futuras hostilidades”, disse Shanahan em comunicado. 

A decisão foi tomada após uma reunião na noite da quinta-feira na Casa Branca entre o presidente e líderes do Pentágono. Antes de embarcar ontem para o Japão, Trump confirmou a decisão a repórteres na Casa Branca, tentando reduzir uma perspectiva de conflito. “Nesse momento, não acho que o Irã queira uma guerra e certamente eles não querem uma guerra com a gente”, disse. 

Nos últimos dias, Shanahan tem afirmado que qualquer deslocamento de novas tropas seria para garantir a proteção das forças americanas e evitar o risco de um erro de cálculo iraniano que poderia levar a um conflito mais amplo. “Nosso trabalho é dissuasão. Isso não é sobre guerra”, disse. 

Ao longo da semana, jornais e agências de notícia americanos afirmaram, citando fontes do governo Trump, que o Comando Central havia requisitado o envio de entre 5 mil e 10 mil soldados, o que foi negado por Shanahan. “Não tem nada de 10 mil ou 5 mil soldados.”

Segundo um relatório do ano passado do centro de estudos conservador Heritage Foundation, o número estimado de militares americanos no Oriente Médio é hoje de aproximadamente 44,5 mil, contando todas as missões conjuntas do Comando Central com os países da região. O número oficial não é conhecido publicamente por questões de segurança, segundo o Heritage. 

Os tipos de tropas que o Pentágono está enviando não indicam nenhuma ofensiva terrestre dos EUA. Os mísseis Patriot são projetados para rastrear e derrubar mísseis em sua direção. 

A decisão é anunciada ao mesmo tempo em que o governo Trump aumenta pressão sobre o Irã após retirar os EUA do acordo sobre o programa nuclear iraniano de 2015 negociado pelo presidente Barack Obama. Desde então, Washington tem aumentado as sanções, designado a Guarda Revolucionária Iraniana como uma organização terrorista e rejeitado a renovar a exceção que permitia a oito países comprar petróleo iraniano. 

Nas últimas semanas, autoridades americanas têm dado novas indicações de um possível ataque iraniano contra interesses americanos como justificativa para enviar o porta-aviões USS Abraham Lincoln, quatro bombardeiros B-52 e baterias de mísseis de defesa Patriot à região. O Departamento de Estado ordenou a retirada de todo o pessoal não essencial do Iraque, onde opera uma grande uma força aliada iraniana. 

Autoridades americanas dizem acreditar que o Irã está por trás dos ataques de sabotagem contra quatro navios petroleiros nos Emirados Árabes Unidos este mês. O Irã nega envolvimento nos incidentes. Dois dos navios eram da Arábia Saudita, um dos Emirados Árabes e o quarto, da Noruega

Resposta

A decisão recente de elevar a pressão começa a ter a resposta de Teerã, que esta semana anunciou ter quadruplicado a produção de urânio enriquecido e garantiu que, em breve, ultrapassará o limite de 300 quilos estipulados no acordo nuclear de 2015. 

Segundo o analista Jamsheed K. Choksy, chefe do Departamento de Estudos de Eurásia da Universidade de Indiana, após Irã se recusar a renegociar o acordo com Washington, Bolton queria enviar de 100 mil a 200 mil militares para o Golfo Pérsico. Mas após negociações dentro da administração republicana, chegou-se a um acordo para mandar, além do aparato militar, os 1,5 mil militares em uma espécie de exibição simbólica de força, como explicou em entrevista ao Estado

“Essencialmente, as tensões dos dois lados precisam baixar, e EUA e Irã têm de voltar à mesa de negociação. Afinal de contas, pactos de controle de armas nunca são finais, eles são sempre renegociados, estendidos ou complementados, como vimos no caso dos EUA e União Soviética ou mesmo outros acordos globais”, afirmou./ W. POST e AP, COLABOROU RENATA TRANCHES 

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