Alex Sanz / AP
Alex Sanz / AP

Trump contratará seu próprio clube de golfe para receber cúpula do G-7

Decisão não tem precedentes na história moderna americana: o presidente usar sua posição pública para fazer um grande contrato com ele mesmo

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2019 | 16h30

WASHINGTON - O presidente americano, Donald Trump, receberá os líderes internacionais para a cúpula do G-7 do ano que vem em um dos seus resorts de golfe nos EUA, o Trump Doral, em Miami (Flórida). O anúncio foi feito pelo chefe de gabinete da Casa Branca, Mick Mulvaney, nesta quinta-feira, 17. 

A ideia, que o próprio Trump defendeu abertamente durante o último G-7 em Biarritz, na França, provocou uma onda de críticas e perguntas sobre possíveis conflitos de interesse.

A decisão não tem precedentes na história moderna americana: o presidente usar sua posição pública para fazer um contrato de grandes proporções como esse com ele mesmo. A cúpula do G-7 atrai centenas de diplomatas, jornalistas e seguranças pessoais, e é acompanha pelo mundo todo. 

O anúncio de que o clube do presidente receberá a cúpula internacional surge em meio a outras duas crises que têm consumido sua presidência - a precipitada e confusa retirada de tropas americanas na Síria e um inquérito de impeachment que ganha cada vez mais força no Congresso. 

Mulvaney disse que a administração não estava preocupada sobre o "aparente conflito de interesse" no caso, enquanto anunciava o que o resort tem a oferecer. 

"Doral foi de longe a melhor instalação física para essa cúpula", disse. O chefe de gabinete explicou que o governo examinou dez locais antes de escolher o de propriedade do presidente, sem especificar quais outros locais foram examinados. 

A ideia de fazer a cúpula no resort, segundo Mulvaney, partiu do próprio presidente. "E Doral?", teria dito Trump durante um jantar na Casa Branca, nas palavras de Mulvaney. 

A cúpula do G-7 se alterna entre lugares escolhidos pelos sete países membros do exclusivo grupo, assim como pela União Europeia. A última vez em que ocorreu nos EUA, em 2012, o então presidente Barack Obama recebeu os líderes na residência do governo em Camp David (Maryland). Antes disso, em 2004, o então presidente George W. Bush foi anfitrião no exclusivo e isolado resort Sea Island (Georgia). 

Politização tem prejudicado marca, diz especialista

Este ano, Trump sugeriu repetidamente que tinha a intenção de premiar a si mesmo com o evento. Na cúpula deste ano, em agosto, em Biarritz, o presidente americano afirmou que seus assessores examinaram outros locais, mas sugeriram a ele que Doral era o melhor. O resort está localizado perto do aeroporto de Miami. 

O clube Doral representa uma importante parte do portfólio de Trump. Ele gera mais lucro do que qualquer outro hotel ou clube de golfe de Trump, que fez um empréstimo de US$ 125 milhões para comprá-lo. 

Mas nos últimos anos, a importante propriedade começou a entrar em declínio, com os lucros sofrendo uma queda de cerca de 69% nos últimos três anos. Um especialista contratado pela Organização Trump culpou a politização da marca Trump pelos prejuízos. / W.POST e AFP  

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