AFP PHOTO / AFP PHOTO AND GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Nicholas Kamm AND Dimitrios Kambouris
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Trump crê que gravação sobre pagamento a modelo pode ter sido ilegal

Presidente diz que é 'inconcebível' que um advogado grave um cliente

O Estado de S.Paulo

21 Julho 2018 | 15h33

WASHINGTON - Donald Trump considerou neste sábado (21) "totalmente inédito" e "talvez ilegal" ter sido gravado sem seu conhecimento por seu ex-advogado pessoal Michael Cohen quando os dois discutiam a possibilidade de comprar o silêncio de uma ex-modelo da Playboy com quem o presidente americano teria tido um caso.

"É inconcebível que um advogado grave um cliente, totalmente inédio e talvez ilegal", denunciou o presidente dos Estados Unidos no Twitter.

Trump foi gravado secretamente dois meses antes das eleições de 2016 discutindo um pagamento para abafar um suposto caso com uma modelo da Playboy, e o FBI tem essa gravação, segundo reportagens divulgadas na sexta-feira (20).

O republicano também considerou "inconcebível que um governo entre no escritório de um advogado (cedo de manhã) - quase inédito".

A gravação foi feita supostamente por seu ex-advogado Michael Cohen, que está sob investigação federal em Nova York por seus acordos de negócios e por alegações de que tais pagamentos violavam as leis de financiamento de campanha.

A ex-modelo da Playboy Karen McDougal alega que teve um caso durante meses com Trump depois que se conheceram em 2006, logo após Melania Trump ter dado à luz seu filho Barron.

Na sexta-feira, o atual advogado pessoal de Trump, Rudy Giuliani, confirmou ao Times que a gravação de Cohen existe, mas que o presidente não fez nada errado e que não houve nenhum pagamento.

"A boa notícia é que o seu Presidente não fez nada de errado!", exclamou Trump para concluir seu tuíte.

O FBI entrou na casa e no escritório de Cohen em abril por recomendação do procurador especial Robert Mueller, que está investigando a interferência russa nas eleições de 2016 e se houve conluio entre a campanha de Trump e Moscou.

O Departamento de Justiça diz que Cohen está sob investigação há meses por suposta conduta criminosa centrada em seus negócios pessoais.

Os procuradores aparentemente estão interessados em pagamentos feitos por ele em nome de Trump para a atriz pornô Stormy Daniels, além de outros negócios relacionados ao presidente.

Tanto Daniels quanto McDougal alegam que tiveram casos com Trump na mesma época, em 2006.

Cohen, que se tornou advogado pessoal de Trump em 2007, é conhecido por ter pago 130 mil dólares a Daniels pouco antes das eleições de 2016 para manter silêncio sobre seu suposto caso com Trump.

Contrariamente ao que sugeriu Trump neste sábado, a lei parece estar do lado de Michael Cohen. É legal, no estado de Nova York, um indivíduo gravar uma conversa, "desde que uma das partes concorde", aponta John B. Harris, que escreve para o New York Legal Ethics Reporter.

"Saber se e quando um advogado nova-iorquino pode, eticamente, gravar secretamente seu cliente é outra questão obscura", observa, no entanto.

"Este é um problema sobre o qual a categoria, nacionalmente, não chegou a um entendimento comum", estimou Stephen Gillers, professor da New York University School of Law, respondendo às perguntas da The American Lawyer após as revelações do Washington Post sobre o hábito de Michael Cohen de gravar suas conversas. / AFP

 

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