Trump critica republicanos após atacar mexicanos

Na liderança das pesquisas de intenção de voto pela indicação republicana, o magnata Donald Trump resolveu atacar alguns dos mais importantes nomes do partido em sua campanha pela vaga na corrida à Casa Branca. Após tentar ridicularizar o senador John McCain, ontem seu alvo foi outro senador, Lindsey Graham, que teve o número de celular divulgado pelo magnata num evento público.

BLUFFTON, EUA , O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2015 | 02h02

As ofensas surgem numa sequência de comentários ofensivos contra imigrantes mexicanos que provocaram indignação entre os eleitores hispânicos, mas agradou aos americanos mais radicais de direita. Uma pesquisa da rede de TV ABC e do jornal The Washington Post divulgada na segunda-feira mostrou Trump como o favorito para 24% dos eleitores republicanos registrados e dos independentes que se inclinam por um candidato republicano.

Com munição, Trump viu-se fortalecido para atacar ainda mais. No sábado, afirmou que McCain, ex-piloto e prisioneiro da Guerra do Vietnã, "não era um herói" de guerra. "Quero quem não se deixou capturar", disse Trump. Seu comentário despertou indignação tanto na direita quanto na esquerda. Reprovações partiram de todos os lados e o ex-governador do Texas Rick Perry e Graham - dois dos que disputam a vaga republicana com Trump - foram alguns dos que o criticaram.

Ontem, Trump quis se vingar do senador e o chamou de "um total peso-pluma" em um discurso para uma plateia de Bluffton, na Carolina do Sul, Estado representado por Graham.

O magnata então revelou que Graham havia ligado para ele há "quatro ou cinco" meses para pedir doação para sua campanha na época e para mencionar seu nome nas entrevistas ao canal conservador Fox News.

"Quem é este homem? Um mendigo?", perguntou Trump, referindo-se ao senador. E em uma total quebra de convenções, pegou um papel que disse ser o mesmo no qual estava anotado o número de Graham e leu os números duas vezes para os presentes.

"Faça uma tentativa", insistiu Trump. "Ele não é seu político local? Ele não vai resolver nada, mas pelo menos vai falar com você."

A porta-voz de Gharam, Brittany Bramell, confirmou que os números eram do celular do senador. Sua campanha condenou a tática de Trump. "Donald Trump continua mostrando que ele é mal preparado para comandar o país", afirmou o chefe da campanha de Graham, Christian Ferry, em um comunicado.

"As duas pessoas mais empolgadas com a candidatura de Trump são Barack Obama e Hillary Clinton. Em razão dessa campanha bombástica e ridícula de Trump, nós nem estamos falando sobre o horrível acordo de Obama com o Irã ou os planos de Hillary Clinton de dar continuidade à falida agenda nacional de Obama", afirma o comunicado.

Diferentemente dos comentários sobre os mexicanos, os ataques a dois dos principais nomes do Partido Republicano podem não ter o efeito desejado por Trump. A mesma pesquisa que o mostrou na frente nas intenções de voto revelou também que seu apoio sofreu diminuição depois das críticas a McCain.

Segundo a sondagem, o respaldo ao magnata caiu fortemente na noite em que os eleitores foram questionados logo após os comentários de Trump sobre o senador.

"Apesar do tamanho da amostra para o último dia ser pequena, o descenso foi estatisticamente significativo", ressaltou o jornal The Washington Post. / AFP, AP e EFE

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