AP Photo/Manuel Balce Ceneta
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Trump culpa aliados por não barrar Obamacare

Nova proposta de lei sanitária impulsionada pelo governo ficou sem possibilidades aparentes de progredir no Senado depois que outros dois legisladores republicanos anunciaram sua oposição ao texto

O Estado de S.Paulo

18 Julho 2017 | 17h14

WASHINGTON - As maiorias na Câmara e no Senado não foram o bastante para o presidente Donald Trump cumprir a promessa de campanha e ele lamentou nesta terça-feira, 18, mais um fracasso na sua reforma da saúde. O mais recente esforço republicano para revogar e substituir o programa de assistência de saúde de seu antecessor, conhecida como Obamacare, não ganhou adesão do próprio partido do presidente, que decidiu deixá-lo "morrer sozinho". 

"Estamos provavelmente naquela posição em que vamos simplesmente deixar o Obamacare fracassar", disse Trump a repórteres no início de um almoço com membros do serviço militar na Casa Branca. "Não vamos assumir isso, eu não vou assumir ... Os republicanos não vão assumir. Vamos deixar o Obamacare fracassar e depois os democratas virão até nós", disse ele.

Ele culpou os democratas e "alguns republicanos" pelo fracasso no Senado. "Fomos abandonados por todos os democratas e alguns republicanos. A maioria dos republicanos foi leal, fantástico e trabalhou muito duro. Nós voltaremos!", declarou Trump em sua conta no Twitter. Sua intenção, disse, é que depois que o plano do ex-presidente Barack Obama falhar, os democratas se unirão a ele para "fazer um grande plano de saúde". 

A nova proposta de lei sanitária impulsionada pelo governo de Trump ficou na segunda-feira sem possibilidades aparentes de progredir no Senado depois que outros dois legisladores republicanos anunciaram sua oposição ao texto. 

Os senadores que se opuseram à proposta são Mike Lee e Jerry Moran, que se uniram a Susan Collins e Rand Paul como os quatro republicanos que deram as costas ao último plano da liderança conservadora no Senado para derrubar o Obamacare.

Com a oposição de 4 dos 52 republicanos do Senado e todos os democratas unidos contra a revogação, os votos favoráveis à nova proposta ficariam abaixo do mínimo de 50 necessários para aprová-la.

Essa nova proposta que fracassou era a segunda apresentada pela liderança republicana do Senado, que se viu obrigada a retirar o seu primeiro plano em junho perante a oposição dos seus legisladores mais conservadores e dos mais moderados.

A Câmara dos Deputados chegou a aprovar um plano para liquidar o Obamacare, sem nenhuma proposta para substitui-lo, mas também não convenceu os senadores. 

A confusão no Senado incomodou o mercado financeiro e lançou dúvidas sobre as chance de aprovar outras políticas internas prioritárias para Trump, como a reforma tributária, em um Congresso dividido. 

Revogar e substituir o Obamacare tem sido um importante objetivo dos republicanos por sete anos, e Trump fez da promessa o centro de sua campanha pela Casa Branca. / REUTERS, EFE 

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