John Moore/Getty Images/AFP
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Trump defende negociação sobre 'sonhadores' após reabertura do governo

Em mensagem publicada no Twitter, presidente americano diz que acordo para financiar governo federal até o dia 8 de fevereiro foi uma 'grande vitória para os republicanos' e ressalta que só aceitará um acordo sobre imigrantes se o considerar 'bom para o país'

O Estado de S.Paulo

23 Janeiro 2018 | 11h11

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convocou democratas e republicanos para sentarem "à mesa de negociação" com o objetivo de abordar o futuro dos 800 mil jovens indocumentados, conhecidos como "Dreamers" (sonhadores, em tradução livre), depois que os dois partidos entraram em acordo sobre a reabertura do governo.

O mestre da negociação não participa de acordo

"Grande vitória para os republicanos", escreveu Trump no Twitter, se referindo ao acordo que reverteu a paralisação do governo na segunda-feira, após quase três dias de fechamento parcial forçado pela falta de fundos desde a meia-noite da última sexta-feira. "Me agrada que os democratas no Congresso tenham recuperado a razão."

"O que eu quero agora é uma grande vitória para todos, incluindo republicanos, democratas e 'sonhadores', mas especialmente para as nossas Forças Militares e a segurança fronteiriça. Devemos poder fazê-lo. Nos vemos na mesa de negociação!", afirmou.

Desafiante, Trump pôs em dúvida, no entanto, seu apoio a uma reforma migratória, o grande impasse que provocou a paralisação. "Como sempre disse, uma vez que o governo seja financiado, minha administração vai trabalhar para resolver o muito injusto problema de imigração ilegal. Faremos um acordo de longo prazo sobre imigração se, e somente se, for bom para nosso país", destacou.

O republicano também exige recursos para erguer um muro na fronteira com o México, uma promessa eleitoral que os democratas não apoiam.

Os democratas acordaram na segunda-feira em permitir a reabertura do governo, ao autorizar o recebimento de novos fundos, mas somente até o dia 8 de fevereiro. Deram, deste modo, seu braço a torcer após Trump ter advertido que não negociaria com eles até que o governo voltasse a funcionar.

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Os dois partidos têm agora pouco mais de duas semanas para chegar a um acordo definitivo sobre as contas se quiserem evitar um novo fechamento, mas os democratas puseram como condição a regularização dos 800 mil "sonhadores".

O "shutdown" (fechamento) do governo, que acontece quando os republicanos controlam o Congresso e a Casa Branca, ofuscou o primeiro aniversário da posse do presidente Donald Trump no sábado, e ameaçava a participação do presidente no Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), que acabou sendo confirmada.

"Teremos outra votação em três semanas", disse Molly Reynolds, especialista em governabilidade do Instituto Brookings. "E se não o tema migratório não avançar, acho que os democratas ainda têm a capacidade de forçar outro 'shutdown'."

Entre os democratas que votaram contra o acordo, há vários potenciais candidatos à presidência em 2020, como Kamala Harris, Bernie Sanders, Kirsten Gillibrand e Elizabeth Warren. / EFE e AFP

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