REUTERS/Marcos Brindicci
REUTERS/Marcos Brindicci

Trump defende negócios com russos em 2016

Evidências indicam que Trump sabia das conversas de assessores com os russos sobre a construção de uma torre em Moscou

O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2018 | 19h38

WASHINGTON - Um dia depois de seu ex-advogado pessoal admitir ter mentido para o Congresso sobre seus planos imobiliários em Moscou, o presidente Donald Trump defendeu nesta sexta-feira, 30, sua decisão de continuar fazendo negócios ao mesmo tempo em que concorria para presidente em 2016. 

Em tuítes postados de Buenos Aires, onde participa da cúpula do G-20, Trump disse não ver nenhum problema em ter continuado a pesquisar “levemente” sobre projetos de construção na Rússia durante a campanha à presidência. 

Nesta semana, após duas revelações, investigadores passaram a tratar Trump como uma figura central de sua investigação que apura se a campanha republicana conspirou com o governo russo nas eleições de 2016. Trump foi rotulado no jargão das investigações criminais como principal assunto de interesse, recebendo até o apelido do ponto de vista legal: “Indivíduo 1”. 

Novas evidências de duas frentes separadas da investigação do promotor especial Robert Mueller lançam dúvidas sobre a versão de Trump dos eventos envolvendo a Rússia. Documentos mostram que os investigadores têm evidências de que Trump esteve em contato próximo com seus colaboradores, no momento em que eles se envolviam tanto com a Rússia como com WikiLeaks – e tentaram esconder a extensão de suas atividades.

Na quinta-feira, o ex-advogado pessoal de Trump Michael Cohen admitiu ter mentido ao Congresso quando ele insistiu que Trump não estava com planos de construir uma de suas torres em Moscou depois de janeiro de 2016. Na ocasião, a versão corroborava a argumentação defendida pelo presidente de que ele não tinha interesses comerciais na Rússia no ano eleitoral.

O rascunho de um documento do promotor especial revelado na terça-feira indica que o grupo de promotores examina com atenção as interações de Trump com seu antigo conselheiro, Roger Stone, sob as suspeitas de que ele buscou informações sobre os planos do WikiLeaks de vazar e-mails de integrantes do Partido Democrata para prejudicar a então candidata Hillary Clinton. 

Trump teria recebido atualizações diretas de Cohen enquanto ele negociava o projeto de construção da Trump Tower em Moscou com o Kremlin até 14 de junho de 2016. As eleições ocorreram em novembro daquele ano.

O presidente também aparece no rascunho de uma acusação contra o aliado de Trump Jerome Corsi, que teria dito a Stone sobre os planos do WikiLeaks de divulgar e-mails para prejudicar os democratas em outubro daquele ano. O Washington Post revelou que Trump falou com Stone um dia depois de ter recebido o alerta de Corsi.

Especialistas dizem que ainda não está claro a extensão do perigo que o presidente corre com as novas evidências. “É um grande problema. É uma situação em que ninguém gostaria de estar”, disse o ex-procurador federal Glen Kopp. “E certamente é uma posição que você quer que seu presidente esteja.” / W. POST 

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