Yves Herman
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Trump defendeu, mas não tomou cloroquina

Tratamento reacende discussão sobre remédio que era o preferido do presidente americano

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2020 | 04h30

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Donald Trump, repetidamente defendeu a hidroxicloroquina como solução na luta contra a covid. Em maio, ele disse que tomou o remédio por precaução. No entanto, seu médico não prescreveu o medicamento depois que o presidente testou positivo. Em vez disso, Trump recebeu um tratamento experimental, com anticorpos desenvolvidos pela farmacêutica Regeneron, além de zinco, vitamina D, melatonina, aspirina, antiácido e o corticoide dexametasona.

Logo após o começo da pandemia, o presidente, que comanda o país mais afetado pelo coronavírus no mundo, com 210 mil mortos e 7,4 milhões de casos, continuou a promover a droga, apesar dos avisos da comunidade científica de que a cloroquina poderia ser fatal para alguns pacientes. 

Advertências contra o uso da droga são repetidas pela Associação Médica Americana, segundo a qual “as decisões de usar medicamentos fora da prescrição original devem ser feitas com extrema cautela e monitoramento cuidadoso”.

O anúncio de Trump de que estava com covid reacendeu o fervor pela hidroxicloroquina. Defensores da droga têm usado o Twitter e o Facebook para recomendar o remédio como parte do tratamento. Entre eles o deputado Andy Biggs, um republicano do Arizona. Na sexta-feira, pelo Twitter, Biggs transmitiu seus votos de boa recuperação ao presidente e à primeira-dama, Melania Trump, mas também sugeriu que ambos “tomassem hidroxicloroquina para auxiliar na recuperação”.

No fim de semana, outros usuários da rede social também postaram que Trump deveria usar a cloroquina, com alguns chamando-a de “droga milagrosa”. A hashtag #hydroxychloroquine apareceu com frequência no Twitter, com algumas variações sob a hashtag #HCQWORKS (hidroxicloroquina funciona).

O apoio insistente do presidente ao uso do medicamento teve sérias consequências no Arizona. Em março, um casal da região metropolitana de Phoenix ingeriu fosfato de cloroquina, que é usado para limpar aquários e formulado de maneira totalmente diferente daquele empregado para medicamentos – o produto não deve ser ingerido em nenhuma hipótese. Em apenas 30 minutos os dois começam a sentir os efeitos da intoxicação. O marido de 60 anos morreu e sua mulher foi internada em estado grave. / NYT

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