EFE/EPA/KEVIN DIETSCH
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Trump demite chefe do Pentágono 

Mark T. Esper discordou do presidente em junho sobre o envio de tropas militares da ativa para controlar as manifestações contra a brutalidade policial

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2020 | 15h22
Atualizado 09 de novembro de 2020 | 18h06

WASHINGTON - O secretário de Defesa americano, Mark T. Esper, foi demitido pelo presidente Donald Trump nesta segunda-feira, 9, a última vítima na sequência de demissões do presidente de altos funcionários da segurança nacional que discordaram dele. No Twitter, Trump anunciou que Esper estava “encerrado”.

Ele será substituído pelo diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, Christopher Miller. “Chris fará um ÓTIMO trabalho! Mark Esper foi demitido. Agradeço por seu trabalho”, escreveu sem cerimônias o presidente no Twitter, dois dias depois do anúncio de sua derrota para Joe Biden na eleição presidencial. A demissão de Esper, de 56 anos, foi o mais recente sinal de que a transição para um novo governo Biden em janeiro será turbulenta tanto nas frentes doméstica quanto externa.

Houve dúvidas imediatas sobre a legalidade da mudança. Por lei, o vice-secretário de Defesa, atualmente David Norquist, se tornaria secretário interino no caso de uma saída repentina do topo. Embora Trump não tenha admitido a derrota na eleição presidencial, Miller terá apenas um pouco mais de dois meses no cargo antes de Biden entrar na Casa Branca.

 

A queda de Esper era esperada havia meses, depois que ele tomou a rara medida de discordar publicamente de Trump em junho e dizer que tropas militares da ativa não deveriam ser enviadas para controlar a onda de protestos nas cidades americanas provocada pela violência policial contra negros. O presidente, que havia ameaçado usar o Ato de Insurreição para fazer convocar os militares, ficou furioso, disseram as autoridades.

Esper disse que as circunstâncias não justificam o uso da lei, que pode dar a um presidente o poder de enviar tropas aos Estados contra a vontade das autoridades locais. Trump havia ameaçado invocar a lei dois dias antes. Após os comentários de Esper, a Casa Branca destacou que era uma decisão apenas do presidente.

Esper também deu ordens para que um batalhão da 82.ª Divisão Aerotransportada e unidades da Polícia Militar retornassem à base depois de terem voado para a área de Washington. Ele reverteu a ordem de retirada após visitar a Casa Branca, mas as tropas foram retiradas alguns dias depois.

Segundo relatórios que citam fontes do governo na época, os assessores de Trump o aconselharam a não demitir seu segundo secretário de Defesa, e Esper foi orientado por seus conselheiros a não oferecer sua renúncia. De acordo com o Wall Street Journal, o secretário já havia começado a redigir uma carta de demissão.

Confederados

O secretário proibiu o hasteamento de bandeiras confederadas nas bases e também estava trabalhando com o Congresso em uma lei para renomear bases do Exército americano que levam nomes de generais confederados. Trump tuitou com raiva que não permitiria que as bases fossem renomeadas, mas não anulou a proibição.

Diante da fúria amplamente divulgada de Trump por sua intransigência, Esper parou de dar briefings à imprensa no Pentágono em julho. Ele teria escrito sua carta de demissão antes da eleição, e Trump pode ter agido para impedir que seu secretário de Defesa tomasse a iniciativa. O presidente insistiu que ele demitiu o antecessor de Esper, James Mattis, em dezembro de 2018, embora a crítica carta de renúncia de Mattis tenha sido amplamente divulgada.

Em uma entrevista ao Military Times concedida no dia seguinte à eleição e publicada hoje, Esper disse que estava orgulhoso das ocasiões em que enfrentou Trump, rejeitando com raiva o apelido de "Yesper", usado por críticos que o consideravam subserviente demais a Trump.

Esper, ex-secretário do Exército e ex-executivo da Raytheon – empresa da área de armamentos e equipamentos eletrônicos para uso militar –, tornou-se secretário de Defesa no ano passado depois que Trump retirou a nomeação de Patrick M. Shanahan, secretário de Defesa interino, em meio a um inquérito do FBI (polícia federal dos EUA) sobre as alegações da ex-mulher de Shanahan de que ele teria dado um soco no estômago dela. Shanahan, que estava substituindo Jim Mattis, negou as acusações.

Esper, que se formou em West Point na mesma turma do Secretário de Estado Mike Pompeo, ingressou no governo Trump como secretário do Exército em 2017, o terceiro indicado pelo presidente para esse cargo depois que outros candidatos desistiram. /NYT, WP e AFP

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