AP Photo/Carolyn Kaster
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Trump demite diretor do FBI, que o investigava por ligação com Rússia

Em carta a James Comey, presidente diz que 'é necessário encontrar novo líder que restaure a confiança na vital aplicação da lei’

O Estado de S.Paulo

09 Maio 2017 | 18h54

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Donald Trump, surpreendeu mais uma vez ao anunciar a demissão do diretor do FBI (a Polícia Federal americana), James Comey, que até esta terça-feira comandava a agência encarregada da investigação sobre os laços da campanha republicana com a Rússia. Trump enviou uma carta a Comey para comunicar a decisão. 

Segundo o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, “o presidente aceitou a recomendação do secretário de Justiça, Jeff Sessions, em relação à demissão do diretor”. Ainda segundo Spicer, a busca por um novo diretor começou “imediatamente”. 

 

 

Em março, Sessions disse ao presidente que se afastaria de qualquer investigação do Departamento de Justiça sobre ingerência da Rússia após o jornal The Washington Post revelar que ele teve contatos com o embaixador russo em Washington, Serguei Kislyak, duas vezes antes das eleições. Na época, ele atuava como assessor da campanha de Trump e escondeu depois a informação nas audiências de confirmação de seu nome no Senado. 

Comey estava no cargo desde setembro de 2013, nomeado por Barack Obama, e liderava o inquérito sobre supostas relações entre funcionários do Kremlin e membros da campanha presidencial de Trump. 

Na carta que enviou a Comey, o presidente reiterou ter recebido e aceitado recomendação para demiti-lo. “Você está demitido e será removido do cargo, com efeito imediato”, diz o texto. “Concordo com o julgamento do Departamento de Justiça de que você não é capaz de, efetivamente, comandar o FBI”, diz Trump. Segundo o presidente, “é essencial que encontremos uma nova liderança para o FBI que restaure a confiança na vital missão da aplicação da lei”. 

E-mails. A decisão do governo Trump vem após o FBI ter enviado uma carta ao Congresso para corrigir um registro no depoimento de Comey, no dia 3, sobre Huma Abedin, assessora da democrata Hillary Clinton. 

Na carta, o FBI afirma que Comey cometeu um erro ao afirmar à Comissão de Justiça do Senado que Huma enviou “centenas e milhares” de e-mails para o computador de seu então marido, o ex-deputado Anthony Weiner, de quando Hillary era a secretária de Estado. Segundo o FBI, foram poucos e-mails encaminhados por Huma. 

No mesmo depoimento, Comey afirmou sentir “náuseas” ao pensar que possa ter influenciado as eleições ao anunciar, dias antes da votação, que reabrira a investigação sobre o caso dos e-mails de Hillary. Por outro lado, ele declarou em seguida que ocultar sua decisão poderia ter sido muito pior.

Em 7 de outubro, um mês antes das eleições, o site WikiLeaks publicou mensagens do diretor da equipe de campanha de Hillary, John Podesta. Semanas depois, em 27 de outubro, Comey anunciou ao Congresso que agentes do FBI haviam encontrado novas mensagens que justificavam reabrir as investigações. O FBI não encontrou, porém, qualquer dado incriminatório e arquivou as investigações dois dias antes das eleições de 8 de novembro. Para muitos democratas, o estrago para a campanha de Hillary já era irreversível. / AFP, AP e Ansa 

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