Saul Loeb / AFP
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Trump deve responder perguntas em investigação sobre interferência russa em eleição, diz jornal

Segundo o 'The Washington Post', as questões devem ser negociadas com antecedência e existe a possibilidade de Trump respondê-las por escrito

O Estado de S.Paulo

08 Janeiro 2018 | 18h12
Atualizado 08 Janeiro 2018 | 20h46

WASHINGTON -  O promotor especial Robert Mueller III, responsável pela investigação do envolvimento russo na campanha para a eleição presidencial, negocia com os advogados do presidente Donald Trump um depoimento do líder republicano sobre o caso nas próximas semanas, publicou nesta segunda-feira o jornal The Washington Post

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A negociação começou em dezembro em um encontro com os advogados do presidente, John Dowd e Jay Sekulow. Segundo o Post, as questões devem ser negociadas com antecedência e existe a possibilidade de Trump respondê-las por escrito. Duas pessoas próximas de Trump confirmaram a existência das negociações ao jornal, mas a defesa do presidente não quis se pronunciar publicamente sobre o tema. 

“Isso está ocorrendo mais rápido do que parece”, disse a fonte que acompanha a negociação ao jornal americano. Apesar disso, advogados do presidente estão relutantes em permitir que ele fique frente a frente com os procuradores para responder perguntas sem nenhuma preparação prévia. 

A defesa de Trump trabalha para que ele faça o mesmo que o ex-presidente Ronald Reagan, quando interrogado sobre o escândalo Irã-Contras: responda questões predefinidas por escrito. Os advogados também querem que Mueller seja proibido de obter qualquer informação sobre Trump sem ouvi-lo. 

“A Casa Branca não comenta negociações com o promotor especial que estejam em curso”, disse o advogado da Casa Branca Ty Cobb. “Continuaremos na cooperação integral para resolver o caso o quanto antes”, acrescentou. 

Negociação. Os termos da entrevista devem ser definidos nos próximos dias. Por meses, advogados do presidente têm pesquisado em que circunstâncias o chefe do Executivo americano pode responder a questionamentos judiciais. O principal desejo da defesa de Trump é descobrir o que será perguntado de antemão. 

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Já era esperado que Mueller tentasse interrogar Trump desde que sua equipe passou a concentrar a investigação no entorno do presidente. Seu ex-chefe de campanha Paul Manafort já foi indiciado por lavagem de dinheiro e um assessor da campanha que se reuniu com agentes russos está cooperando com a investigação.

Trump demitiu em maio o então diretor do FBI, James Comey, em meio a um inquérito sobre o possível conluio com os russos para influenciar a eleição. O presidente também orientou seu filho Donald Trump Jr. a divulgar um comunicado impreciso sobre um encontro com russos. 

No fim de semana, Trump voltou a negar qualquer elo com os russos. “Não sou alvo de investigação e não houve crime”, disse. “Nós temos sido muito abertos sobre isso, poderíamos nos fechar e a investigação levaria anos, mas isso seria muito ruim para o país.”

Em 2004, o então presidente George W. Bush depôs voluntariamente sobre a investigação do caso Valerie Plame – quando assessores da Casa Branca expuseram a identidade de uma agente da CIA em represália ao criticismo do marido dela sobre a Guerra do Iraque. Bill Clinton depôs via vídeo sobre o caso Monica Lewinsky em 1998. /WASHINGTON POST

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