AFP PHOTO / MANDEL NGAN
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Trump diz que vai convidar Kim para ir aos EUA se diálogo avançar

Presidente manifestou otimismo, mas admitiu que uma cúpula não será suficiente para resolver as divergências

Cláudia Trevisan, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

07 Junho 2018 | 15h51
Atualizado 07 Junho 2018 | 23h29

Interrompida há 65 anos com um armistício, a Guerra da Coreia poderá acabar oficialmente na próxima semana, com a assinatura de um acordo de paz na histórica cúpula que terá com Kim Jong-un, disse nesta quinta-feira, 7, o presidente americano, Donald Trump. Segundo ele, o sucesso do encontro poderá levar a um convite para que o ditador norte-coreano faça uma visita sem precedentes aos EUA e à Casa Branca.

Ao lado do premiê do Japão, Shinzo Abe, Trump demonstrou otimismo em relação ao encontro, que foi cancelado e ressuscitado por ele no espaço de uma semana. A primeira reunião da história entre líderes dos dois países que se enfrentaram na Guerra da Coreia ocorrerá na manhã de terça-feira em Cingapura (segunda-feira à noite em Brasília) e poderá se arrastar por “dois ou três” dias, segundo Trump.

“Nós podemos absolutamente assinar um acordo. Nós estamos analisando isso. Nós estamos falando sobre isso com eles. Nós estamos falando sobre isso com muitas outras pessoas. Mas isso pode acontecer”, disse o presidente, referindo-se ao acordo de paz. 

A assinatura de um acordo de paz é uma antiga demanda da Coreia do Norte, que teme ser atacada pelos EUA. Trump ressaltou que esse é apenas “o primeiro passo” que poderá levar à normalização de relações diplomáticas entre os dois países no longo prazo. “O que ocorre depois do acordo é que é realmente o grande ponto.”

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Ele reconheceu que uma cúpula não será suficiente para resolver as divergências e a negociação será “um processo”. Mas reiterou a exigência de “total desnuclearização” da Península Coreana. Trump disse que manterá as sanções impostas no âmbito da política de “máxima pressão” sobre Pyongyang e afirmou que tem uma lista de 300 outras para adotar caso as conversas fracassem. Se o diálogo não avançar, o presidente disse que estará pronto para abandoná-lo.

“Creio que será um sucesso tremendo ou um sucesso modificado”, declarou Trump, sem precisar o significado da segunda opção. O resultado positivo abriria a porta ao convite para que Kim visite os EUA.

O secretário de Estado, Mike Pompeo, que se reuniu com Kim duas vezes, disse ter escutado do ditador a intenção de abrir mão de seu arsenal. “Ele indicou para mim, pessoalmente, que está preparado para a desnuclearização e ele entende que o atual modelo não funciona”, disse Pompeo.

Muitos analistas veem com ceticismo essa possibilidade e acreditam que Kim tenta ganhar tempo e conseguir algum oxigênio para a economia do país com o alívio de sanções.

Pompeo ressaltou que os EUA darão “garantias de segurança” ao ditador em troca da desnuclearização. Na prática, isso significa o compromisso de não atacar o país mais fechado do mundo. Segundo ele, a intenção de Trump é submeter um eventual acordo à aprovação do Congresso, o que daria a Kim a garantia de que ele será mantido se houver mudança de governo em Washington.

No mês passado, Trump abandonou o acordo sobre o programa nuclear do Irã, fechado pelo governo Barack Obama. Muitos críticos disseram que a decisão afetaria a credibilidade dos EUA na negociação com a Coreia do Norte. Ontem, Pompeo disse que a situação atual é diferente. 

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