AP Photo/Jacquelyn Martin
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Trump diz que decisão sobre cúpula com Kim deve ser tomada na próxima semana

Presidente americano mantém expectativa sobre encontro em Cingapura, no dia 12 de junho, que 'será muito bom para a Coreia do Norte'; em discurso na Câmara, secretário de Estado Mike Pompeo afirma que realização da reunião agora 'depende de Pyongyang'

O Estado de S.Paulo

23 Maio 2018 | 15h21

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira, 23, que a decisão sobre a esperada cúpula com o líder norte-coreano Kim Jong-un, prevista para 12 de junho, será tomada "na próxima semana".

"Vamos ver o que acontece. Acredito que pode ocorrer. De qualquer forma, saberemos na próxima semana sobre isto (após conversarmos) com Cingapura", afirmou à imprensa na Casa Branca. "Se formos, acredito que será muito bom para a Coreia do Norte."

A cúpula havia sido acordada com Kim, mas na última semana muitas dúvidas surgiram quanto a sua realização diante do aumento da tensão entre de Pyongyang com Seul e Washington, depois da realização de manobras militares conjuntas entre EUA e Coreia do Sul.

Ao receber, na véspera, o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, Trump admitiu que o encontro com Kim poderia ser adiado já que as negociações pareciam não avançar no ritmo esperado. "Pode ser que a data de 12 de junho não funcione (...) Se não ocorre agora, talvez possa ocorrer mais tarde", disse o presidente americano.

Moon fez uma visita urgente a Trump depois do esfriamento na reaproximação de Washington e Pyongyang, o que poderia afetar seriamente os esforços de entendimento entre as duas Coreias.

Kim e Moon protagonizaram um histórico encontro no fim de abril na Zona Desmilitarizada entre as duas Coreias, mas o distanciamento entre os dois governos nas últimas semanas levou ao cancelamento de uma reunião de funcionário do alto escalão do Norte e do Sul.

Exigências norte-coreanas

Mais cedo nesta quarta, porém, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, disse que Washington continuava com os preparativos para a realização da cúpula, mas que sua realização depende agora de Pyongyang. 

"Ele (Kim Jong-un) pediu a reunião e o presidente (Trump) concordou em se reunir", disse Pompeo em uma audiência na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados.

Pompeo reconheceu, porém, que "ainda há muito trabalho a ser feito para encontrar um terreno comum". Apesar disso, ele disse estar "otimista" de que as delegações dos dois países conseguiriam confirmar a reunião.

De acordo com o secretário de Estado, nos contatos pessoais que manteve com Kim em Pyonyang, o líder norte-coreano adiantou para ele as exigências que apresentaria para avançar na desnuclearização do país.

Kim expressou a Pompeo seu interesse de que, uma vez selado o acordo, a Coreia do Norte "possa receber ajuda econômica dos Estados Unidos, na forma de tecnologia e de conhecimento do setor empresarial".

O líder norte-coreano também teria demonstrado interesse em receber "garantias de segurança".

Em contrapartida, Pompeo expôs para Kim as condições dos Estados Unidos, em particular as que se referem à verificação do processo.

"Nenhuma concessão"

"Minha opinião é que não fizemos nenhuma concessão ao presidente Kim até agora e não temos a intenção de fazê-las", disse Pompeo.

Nas conversas preliminares, o secretário de Estado disse que deixou claro que não estava disposto a se comprometer com um plano de ajuda se não pudesse verificar a desnuclearização "completa" da Coreia do Norte.

"O cenário que expus é o de uma desnuclearização rápida que será total e completa", disse Pompeo perante os legisladores, o que implicaria não apenas no desmonte da capacidade de desenvolvimento de armas atômicas, mas também na capacidade de lançamento de mísseis de longo alcance e de toda a tecnologia associada a estas iniciativas.

Esta declaração sugere que ainda há espaço nas negociações para um eventual plano nuclear para uso civil na Coreia do Norte. / AFP

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